Indu´stria Te^xtil: textos sons imagens (desgarrados)

Um ensaio sem progresso. Diário de viagens. Registro de paisagens. Notas de passagens. O paraíso mais artificial. Retratos do bem e do mal. O peso da vida. O corte do sal. Espelho que distorce. Lente que contorce. Aquilo que não se entende, porque acontece de repente: apenas aquilo que se sente. Disfarce da arte: o mundo a la carte.

Quinta-feira, Março 12, 2009

Orlando Lopes lhe convidou para o radiusIM.com

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Orlando Lopes (orlandolopes.es@gmail.com) lhe convidou para ir ver o radiusIM.com. Seu nome de usuário de radiusim é orlandolopeses.

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Domingo, Fevereiro 15, 2009

Venha participar de PdC Salvamar!

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Cultura, Educação e Turismo para o desenvolvimento sustentável.
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Venha se juntar a mim em PdC Salvamar

- Orlando Lopes
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Sobre PdC Salvamar
Aqui o PdC Salvamar fala, e ouve. E pinta o sete. E borda. É só darem corda.
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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Venha participar de Sarau Literario Saber.ES!

Venha participar de Sarau Literario Saber.ES!
O Sarau que é o Saréu.
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Olá! Você já viu um saréu (literário) nascer? Sim-Não? Gostaria de ver :-) ? Até-a-todos, Orlando Lopes
Members on Sarau Literario Saber.ES:
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Sobre Sarau Literario Saber.ES
Sarau mensal, realizado por alunos e professores da Faculdade Saberes (Praia do Suá, Vitória-ES).
Sarau Literario Saber.ES 26 membros
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Domingo, Dezembro 17, 2006

HISTÓRIA DA ARTE (Metropolitan Museum of Art)

HISTÓRIA DA ARTE: Com um simples clique você agora pode saber mais sobre qualquer período artístico desde 2000 antes de Cristo até 1600 depois de Cristo. O website do Metropolitan Museum of Art criou uma linha do tempo que mostra de forma cronológica, geográfica e temática a história da arte, através das ilustrações da coleção do museu. www.metmuseum.org/toah

Acervo online - Online Archive of California

A reprodução em alta definição do prato de porcelana ao lado (de 1876) é apenas uma das muitas peças arquivadas digitalmente no Online Archive of California. O site www.oac.cdlib.org , uma extensão da Biblioteca Digital da Califórnia, tem como missão reunir dados e imagens de manuscritos, fotografias e obras de arte pertencentes a todas as instituições culturais da Califórnia. A quantidade de informações impressiona.

Dossiê Walter Benjamin (Revista USP)

Walter Benjamin, diante da perspectiva de ser capturado pelos nazistas, preferiu o suicídio. Morreu em 1940, um refugiado judeu alemão, virtualmente desconhecido. Meio século após a sua morte, no ano do centenário de seu nascimento, é figura conhecida, discutida em inúmeros países e nos mais diversos meios ­ sua relevância cultural beira o consenso. Benjamin tornou-se de fato o símbolo emblemático de uma intelectualidade refinadíssima colhida em meio à pior barbárie. No Brasil em particular, começou a tornar-se conhecido há cerca de dois decênios sobretudo como crítico literário marxista pertencente, em parte pelo menos, à chamada Escola de Frankfurt. Conforme cresceu aqui o número de seus livros traduzidos e o de leitores dedicados, tal imagem deu lugar a outras mais complexas. Por isso mesmo, apesar do declínio, momentâneo ou não, da popularidade das investigações literárias de orientação marxista, Benjamin continua a interessar. Prova disso é o simpósio "Sete Perguntas a Walter Benjamin" promovido em 1990 pelo Instituto Goethe de São Paulo, que contou com a participação de intelectuais brasileiros e alemães. Com alguns acréscimos, o dossiê deste número 15 da Revista USP reúne as comunicações apresentadas no referido simpósio, com o intuito de homenagear o crítico e pensador alemão no centenário de seu nascimento.
O Editor-Chefe

Nota: Por estar ainda em fase inicial, a Revista USP on-line pode conter diferenças em relação à versão impressa. É o caso, por exemplo, da acentuação das palavras estrangeiras, sobretudo aquelas de menor semelhança com o português, como o russo, o grego, o servo-croata e o ídiche, para citar apenas algumas. Diante disso, contamos com a compreensão dos leitores, e desde já nos colocamos à disposição para eventuais dúvidas ou consultas aos exemplares impressos.

SETE PERGUNTAS A WALTER BENJAMIN Apresentação de Michael de la Fontaine
POR QUE OS HERDEIROS DE WALTER BENJAMIN FICARAM RICOS COM O ESPOLIO? Klaus Garber/Willi Bolle
É PRECISO TEOLOGIA PARA PENSAR O FIM DA HISTÓRIA? Norbert W. Bolz/Leandro Konder
POR QUE UM MUNDO TODO NOS DETALHES DO COTIDIANO? Klaus Garber/Jeanne-Marie Gagnebin
É A CIDADE QUE HABITA OS HOMENS OU SÃO ELES QUE MORAM NELA? Sergio Paulo Rouanet/Nelson Brissac Peixoto
O QUE É MAIS IMPORTANTE: A ESCRITA OU O ESCRITO? Haroldo de Campos/Bernd Witte
ONDE ENCONTRAR A DIFERENÇA ENTRE UMA OBRA DE ARTE E UMA MERCADORIA? Norbert W. Bolz/Michael de la Fontaine
POR QUE O MODERNO ENVELHECE TÃO RÁPIDO? Bernd Witte/Sergio Paulo Rouanet
SOBRE A LITERATURA DE WALTER BENJAMIN Max Bense
BIBLIOGRAFIA DAS OBRAS DE WALTER BENJAMIN NO BRASIL Gunter Karl Pressler
BIBLIOGRAFIA COMENTADA DAS OBRAS SOBRE WALTER BENJAMIN NO BRASIL Gunter Karl Pressler
ANTONIO JOSÉ, DE GONÇALVES DE MAGALHÃES Decio de Almeida Prado
ANTONIL, A CANA E O NEGRO Antonio Dimas
UMA LÍNGUA-PASSAPORTE: O ÍDICHE J. Guinsburg
CRENÇA E CONVENÇÃO Luiz Meyer
RUBEM FONSECA VOLTA AO CONTO Ariovaldo José Vidal
SOBRE OS LIMITES DO REI-FILÓSOFO Marcelo Tsuji

Imagens da Biblioteca Pública de Nova York

COLEÇÃO: Quem trabalha com design de sites está sempre procurando imagens que possam servir de inspiração para suas criações. E a coleção online de imagens da Biblioteca Pública de Nova York é um verdadeiro paraíso. São mais de 30 mil imagens digitalizadas de livros, revistas e jornais, a grande maioria de antes de 1923. E o melhor de tudo: são de domínio público, o que significa que podem ser usadas de graça.

Visite o site.

VOZES DO PASSADO

Este site é um verdadeiro tesouro auditivo. Nele você tem a chance única de ouvir as vozes de gente famosa que já morreu. Tiradas do arquivo da BBC, levam o internauta a se deleitar com entrevistas com escritores como Agatha Christie ou Dylan Thomas; diretores como Alfred Hitchcock ou cantores como Bob Marley. Mas o site também tem entrevistas com gente ainda viva. O Brasil aparece representado pelo nosso rei do futebol, o Pelé.

Visite o site.

Domingo, Outubro 29, 2006

University of California Press RSS Feed


October 2006

The UC Press RSS Feed is up and running! This new feature can be accessed by clicking on the RSS icon on the home page or visiting our website. On the RSS webpage, we've included links to feeds for all of our new books, our blog content, and individual feeds for many of the subjects in which we publish. You can subscribe using your own aggregator or via direct links to both Bloglines and Yahoo.

We're making a concerted effort to respond to the needs of users who wish to receive notification about our books in alternative formats and would welcome any comments or suggestions. Please send them to: enews@ucpress.edu. To subscribe now, follow this link: http://www.ucpress.edu/rss

Enjoy! University of California Press

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

guimarães rosa no museu da língua portuguesa

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Reunião por políticas públicas do livro acontece dia 28

PublishNews - 25/8/2006

A Organização dos Estados Ibero-americanos – OEI, entidades e diversas personalidades do mundo do livro no Brasil, estão promovendo uma série de ações para fortalecer as políticas públicas do livro e leitura no país. Entre elas, o lançamento do caderno Políticas Públicas do Livro e Leitura, com reflexões e compromissos das quatro principais candidaturas à Presidência da República nas eleições de 2006, previsto para setembro. Além disso, está sendo articulado o lançamento do Manifesto do Povo do Livro e o agendamento de encontros de lideranças e personalidades da área com os candidatos a Presidente durante o mês de setembro. A primeira reunião será na próxima segunda-feira (28), às 10h, na Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros) (Rua Turiassu, 143, conjuntos 101-102 - Perdizes - São Paulo-SP).

MARATONA DE LEITURA DA OBRA GRANDE SERTÃO: veredas

A Gazeta
25 de Agosto de 2006

CADERNO 2
Com a palavra, o livreiro
Marcelo Pereira

É um Davi que não está interessado em matar o gigante Golias. Formado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o professor de Literatura Raoni Huapaya, 26 anos, também defende seu espaço, como na história bíblica, com unhas, dentes e fé, só que na literatura, e em um mercado dominado por grandes redes ou por lojas tradicionais.Sua Livraria Huapaya, inaugurada em 21 de junho deste ano, em Jardim da Penha, chama a atenção por pelo menos três motivos: primeiro, por não estar dentro de um shopping; segundo, por fazer questão de ser pequena; terceiro por ser administrada por um bibliófilo. O espaço também promete virar assunto entre amanhã e domingo, quando vira será palco de uma verdadeira maratona literária: 25 voluntários vão ler "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, do começo ao fim. A empreitada começa às 9h do sábado e tem previsão de terminar às 7h de domingo, totalizando 22 horas em torno da saga de Riobaldo de Diadorim. "É a nossa forma de homenagear os 50 anos de lançamento do livro e também provarmos que a leitura provoca. Mesmo que seja só curiosidade mas provoca", diz Raoni Huapaya. Huapaya defende a idéia de que um livreiro deve agir como um mediador de leitura, principalmente numa cidade como Vitória, em que há poucos – ou nenhum – espaços para gente que gosta de ler além do que está na lista dos mais vendidos. "É aquele leitor que não é intelectual, mas que se interessa por uma leitura refinada", descreve. Assim, na vitrine da nova livraria não estacionam best-sellers tipo "O Código Da Vinci" ou os títulos da série "Harry Potter" (apesar da livraria não os excluir de seu catálogo). O destaque vai para clássicos da literatura mundial, eternas referências nas letras brasileiras e o que há de contemporâneo na produção literária do Brasil. Sem contar títulos de várias áreas de conhecimento, como Filosofia, Teatro e Artes Visuais.Iniciativas. Ciente de que é um barquinho navegando entre transatlânticos, e em um país que não é exatamente campeão de leitura, o livreiro usa outras estratégias em torno desse tal "público interessado em leituras refinadas". "A livraria tem que ser, além de um ponto de encontro, um de discussão para o público que a freqüenta", argumenta. Discussão, pela programação do espaço, não falta. O local já sedia dois Clubes da Cultura. Um discute a tragédia grega, mediado pelo escritor e mestre em Estudos Literários pela Ufes Orlando Lopes. O outro organiza um seminário da arte da performance teatral, com o diretor teatral e professor da Ufes César Huapaya, pai de Raoni. A nomenclatura de clube é para não se aproximar de conceitos como grupos de estudos. "Isso acaba afastando. Os participantes não terão aulas. Eles mesmos vão construir o conhecimento, de uma maneira leve, não formal", diferencia.As propostas de Huapaya acabam trazendo à memória a livraria D. Quixote, na Praia do Canto, que fechou suas portas em 2001 e durante muito tempo foi a única na cidade com uma proposta alternativa. Mas ele acha que são momentos diferentes. "Foi uma outra época. Acho que ela não agüentou a chegada das grandes redes de livrarias. Hoje, o mercado está consolidado e não há risco se você souber manter o seu público", acredita o Raoni empresário, que quer que sua livraria continue pequena. Mas notável.Os programas da livraria

Circuito de Leitura. Maratona de leitura da obra "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. Vinte e cinco voluntários lerão em rodízio todo o livro. Início: sábado, às 9h. Término: domingo, às 7h da manhã.

Clube da Cultura de Performance.
Seminário de discussão a arte da performance teatral. Com o professor e doutor em estética e etnocenologia pela Universidade de Paris (Sorbone) César Huapaya. Encontro no dia 31 de agosto, às 19h. Vagas: 15. Gratuito.

Clube da Cultura Clássica.
A temática é a tragédia grega. Mediação do professor e mestre em estudos literários pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Orlando Lopes. Curso "A tragédia na formação do pensamento ocidental", 16h. Encontros nos dias 29 de agosto, 5 e 12 de setembro, sempre às 19h. Vagas: 15. Valor: R$ 120,00. A Livraria Huapaya fica na Praça Wolghano Netto (próximo ao Supermercado Carone), 210, Loja 1, Jardim da Penha, Vitória. (27) 3325-0892.

Sábado, Agosto 26, 2006

Circuito de Leitura - Grande sertão: veredas

Estamos na Livraria Huapaya, realizando uma homenagem a Guimarães Rosa com a leitura integral do romance "Grande Sertão: veredas". A leitura se iniciou às nove da manhã, e se estenderá por todo o dia (e noite, e madrugada) de sábado e início do domingo.

Quarenta "ledores" (ou mais!) se revezarão em blocos de leitura de aproximadamente meia hora. De acordo com a proposta de leitura apresentada pelo ator Cesar Huapaya, tentaremos enfatizar os aspectos performáticos do contato entre os leitores, o texto e os ouvintes, buscando não o espetáculo mas a experiência da leitura. O áudio está sendo gravado, para ser posteriormente editado como audiolivro e distribuído para o público em geral e deficientes visuais.




Se você estiver nas imediações de Jardim da Penha, em Vitória, pode participar da homenagem visitando a Livraria e Editora Huapaya, que fica na praça Wolghano Netto. Até lá! Quer dizer, aqui!

Ah, sim: clicando aqui, você pode ver o Circuito de Leitura.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Troglolíria 1.0 (relato de intervenção)

Sexta-feira, 18 de agosto. A Troglolíria começa a ser armada. Chego à Livraria Huapaya às 9:30 da manhã, pouco depois dos participantes da equipe enviada pelo PdC Salvamar. Entro em contato com o Coletivo Entretantos, conversamos rapidamente e combinamos nosso encontro para as 14:00, no portão principal da Ufes.

Boa parte da produção gráfica ainda precisa ser finalizada. Ficamos, eu, os participantes do PdC SAlvamar e a equipe da Livraria Huapaya realizando as primeiras Satirilírias e tentando entender melhor a proposta de intervenção e seus possíveis desdobramentos. Ainda é muito cedo para saber como, de fato, se poderá encaminhar a execução da Troglolíria.

Distribuímos algumas tarefas, e volto a me ocupar com a composição dos textos que são o corpo da intervenção. Enquanto escrevo, e-mails de divulgação são enviados, blogues são alimentados, vídeos são captados e fotos são registradas. É a machina edita da Troglolira que se põe em movimento. Nada grandioso, pelo contrário; toda a nossa movimentação busca manter um espírito de ensaio e rascunho.

Dando por encerrada a primeira etapa das Satirilíricas, saímos para almoçar e partimos para a Ufes, a fim de encontrarmos a movida do MultipliCIDADE 2006. Não os encontramos e passamos a fazer um reconhecimento de locais a serem explorados durante a intervenção.

Retornamos ao TAZ Huapaya e retomamos contato com o Coletivo Entretantos, que acaba de aportar na Ufes para a realização de algumas ações de intervenção urbana. Somos informados de que os planos do Coletivo são de primeiro agir e intervir na Ufes, e depois, no fim da tarde, nos alcançar no TAZ. Um dos representantes do PdC Salvamar parte para encontrá-los, o outro fica na Livraria Huapaya, ajudando a produzir as peças para a intervenção troglolírica.

Como não teremos apoio para a produção gráfica, aceleramos e improvisamos como podemos o acabamento dos textos e da editoração. Providenciamos as xerox necessárias, folhas de papel cenário, etc. Montamos os painéis, preparamos o booklet e o folder de divulgação, conseguimos a liberação do bar Abertura, na rua da Lama, para sediar o happening principal da intervenção, constituído pela proposição das Satirilíricas aos freqüentadores.

Às 19:00, o representante do PdC Salvamar retorna ao TAZ Huapaya, com a informação de que o MultipliCIDADE 2006 preferirá encerrar a noite com Momo, e não com Dioniso Macunaímico. Preferindo fantaextasiar-se na quadra da Novo Império, os membros da coletividade abrem mão da oportunidade de conhecer mais intimamente os caminhos que levam a (e trazem de) Faketown.

Constatando estarmos sozinhos partimos, então, para o Périplo Troglolírico: saímos a pé, painéis montados, booklets dobrados, fôlderes prontos, câmeras nas mãos e algumas idéias nas cabeças. Após afixarmos o primeiro painel na entrada da Livraria Huapaya, seguimos direto para o ponto de ônibus próximo à entrada da Ufes e de Jardim da Penha. Afixamos os poemas no display improvisado e captamos as reações imediatas (e aparentemente mínimas) à sua inserção no cenário de intervenção. Buscamos outros pontos de colagem, e acabamos chegando ao prédio do curso de Letras, na Ufes. Tanto quanto o ponto de ônibus, há poucas pessoas no IC-III, e excesso de referências visuais nos murais disponíveis no ambiente.

A câmera em funcionamento chama muito mais a atenção do que o painel com os poemas. Quanto a nós, evitamos contato direto com o público circundante, preferindo tentar manter discrição e distanciamento, para não interferir com elementos externos no processo de recepção dos textos.

Dali, retornamos à rua da Lama, e ao bar Abertua. O Abertura já está começando a lotar, não conseguimos ocupar uma mesa. Acabamos nos transferindo para um bar ao lado, o Portal Kokeshi. Começamos a beber, enquanto aguardamos o horários combinado para o início do happening de distribuição dos booklets e dos fôlderes, e também estudamos as potencialidades do ambiente.

Dois membros do TAZ Huapaya juntam-se a nós. Chegando a hora combinada, o painel que nos resta é afixado numa parede mais exposta do Abertura. O bar continua enchendo, e quase ninguém dá atenção ao painel. Os booklets começam a ser distribuídos. Como fizemos apenas cinqüenta cópias, optamos por escolher algumas mesas e deixar apenas um exemplar em cada uma. Enquanto os poemas são distribuídos, as duas câmeras de vídeo tentam captar, à maior distância possível, as impressões e reações à panfletagem.

Quando terminamos, voltamos para o Kokeshi e voltamos a beber e a realizar, cada um à sua maneira, o ritual troglolírico das Saitirilíricas. Tomamos algumas saideiras. Saímos do bar, dando a noite por encerrada. E deixamos a Troglolira no ar.

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Troglolíria, Guia do Usuário

Olá. Você acaba de acessar um extemplar para a Primeira Troglolíria Vitoriana. A troglolíria é um pseudo-ritual originalmente realizado pelas tribos bárbaras, nos momentos em que estas cortam Faketown com suas facas-só-lâmina.

Sinta-se convidado, por sua própria conta e risco, a entregar-se à Satilíria, esse fundamental conjunto de passes necessário para o cumprimento do percurso troglolírico.

A primeira coisa a fazer é ler os poemas completamente, três vezes durante uma noite, não importando o grau de consciência em que você se encontre.O intervalo entre uma leitura e outra deve ser de pelo menos uma hora..

Você pode propagar as impressões deixadas pela sua troglolirice pessoal nos blogues da Indústria Têxtil e do MultipliCIDADES.





A TROGLOLÍRIA – A Troglolíria é o principal festival extasiático de Faketown, embora seja provavelmente o mais desconhecido e misterioso. O termo vem de uma fusão entre “trogloditas” e “líricos”, o que literalmente significa “brutamontes sentimentalizados”.

Logo após o período das Grandes Ditaduras (epoparcaicamente registradas por Tucídides de Almeida Júnior nas Epiodes Glocais), bárbaros e trogloditas foram finalmente aceitos como cidadãos de Faketown. Podiam finalmente pretender, com o status de homens livres, dedicar-se a interesses regidos por seus próprios desejos, necessidades e vontades, e não apenas a defender o interesse e o bem-estar de outrens.

Além dos ofícios de que se foram incumbindo para manter as condições de vida em Faketown, aconteceu que diversos desses ex-cêntricos extrangeiros passaram a ter contato – superficial ou profundíssimo – com a Occidentia que enforma a falcidade. Tornaram-se artistas, professores, literatos, poetas, artesãos, músicos, servidores enfim de todo o espectro da sensação humana, de seu registro e de sua memorialização.

Com freqüência incerta e duração inexata, os troglolíricos de todo o mundo – e não apenas os de Faketown – se reúnem para a realização das Satirilíricas, festivais que celebram os Ex(c)ritos Trágicos e as Micômicas Báquicas.

Durante as Satirilíricas, interpretam-se, cantam-se e dançam-se os Poemas Dissolventes, que devem ser lidos segundo o Codex Peirceano, tal como descrito nos Mysterios d’Eleusis. Através de leituras desatentas e digressivas, os troglolíricos se permitem desconhecer a si próprios, para conhecer um pouco mais a Pseudo Athená de Faketown.



***

Multiplique-se

Terça-feira, Agosto 15, 2006

MultipliCIDADE

Troglolíria
.
outubro de 2005








a.lucinação










FAKETOWN ALUCINA

mesmo
a cidade
mais falsa
– a mais etérea –

(civita(vitor(viator)ia)te dei)

gera

uma chimera
luminosa (lâmpada
chinesa e longas
línguas de sombras

: arco que enverga
a íris

(azul que
num momento
revira em rosa)

nuvem que brilha
dispersão gozosa

: o maior engodo
da história













poemas
.
orlando lopes








poesia a R$ 1,99










PRÊT-A-PORTER BANDEIRIANO

a vida
que tanto se repete
(até o ponto em que se
desgasta)
às vezes se torna comicamente leve
às vezes se torna dramaticamente
pesada

pesada
a vida fica
de cara amarrada
e obriga
quando muito
a uma felicidade falsa
(hypo krisis
descarada)

leve
toma ares
de tristeza deslavada
(a sujeira manuelina
no brim da barra
da calça
deixa de ser mancha
– vira estampa –
enfeita o que nos vestemostra
o que nos marca)







queria
poemas
que não
pudessem
ser nada
além de
poemas

:

signos
(os que nos
seguem)
intraduzíveis
(de outra
forma
indizíveis)

as peles
mais intra
(a)duzíveis
que a palavra
pudesse realizar

queria poemas
que fossem tão
puramente palavras

que nem
pudessem ser
lidos

se não fosse
com olhos
míopes
(ou um aperto
humoroso
em Calíope)

queria poemas
que fossem
emblemas

(não fonemas)

de uma nobre
estirpe : no(doa)ta
brasiliana
nos jardins de Circe

queria (aliás)
um poema
que fosse (inconteste)
panis et circensis

e assim gentil
como um amigo
paraense




LOGODRAMA EM TORNO DE UMA PALAVRA PERDIDA


ah
não vai
não

desgraçada

fica aqui
(volta)

deixe
(cois’)ficar ainda
uma

vez: a tua tez

tão vaga (tua pura
superfície

um instante
antes

de
ser

imaginada)mente
sagrada : palavra
desejada (quase
transe) : outra
voz (que
sub

lim
(i
(lumi)
min) a)



: a graça (ironia
mais fina)
de pertencer
à humanidade

a agudeza
rude (um dia
o des encantamento
outro dia as aleg(o)rias)
de cada sina


***

MultipliCIDADE 2006
ORLANDO LOPES

a. currículo do proponente
Área de expressão: poesia
Trabalhos publicados: Hardcore blues – apocalyptic poems (1993), Logradouros (antologia). Escritos de Vitória (1995), A poesia espírito-santense no século XX (antologia, 1998), A parte que nos toca: literatura brasileira feita no Espírito Santo (antologia, 2000).

b. descrição detalhada
forma de execução: Troglolíria é uma série-fragmento composta por quatro poemas. Os dois primeiros poemas (“Faketown alucina” e “Prêt-a-porter bandeiriano”) buscam constituir imagens de uma nossa deslocalidade, de algumas de nossas dispersâncias e despertenças. E os dois últimos (um sem-título e “Logodrama em torno de uma palavra perdida”) querem se prestar, em seu metalinguajar, a provocar ledores e escrevedores a reverem seus conceitos sobre a linguagem e sobre o fazer poético.

Os quatro poemas serão impressos como cartazes no formato A3 (ou maior) e afixados em locais disponibilizados pela organização. Os poemas podem ser expostos num local em que haja boa circulação de pessoas com pouco tempo para leitura, como um (display em) ponto de ônibus.

Além disso, no primeiro dia do Mutiplicidades será possível fazer o lançamento de um panfleto (em xerox) contendo os textos expostos. O panfleto fará parte do selo “Poesia a R$ 1,99”, da Editora Maratimba, que funciona no Ponto de Cultura da Associação Salvamar, em Guarapari-ES.

materiais
materiais a serem utilizados:
local: Displays oficiais ou improvisados em pontos de ônibus localizados nas diversas zonas de interferência do MultipliCIDADE.
Suporte: Xerox A3 ou maior


***

Multiplique-se

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Universidade da Califórnia cede acervo ao Google

BBC - 9/8/2006

O Google anunciou um reforço de peso para seu projeto de uma biblioteca virtual: a autorização para digitalizar o acervo de cerca de 34 milhões de títulos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Representantes do Google afirmaram que devem escanear "vários milhões", mas não todos os livros do acervo da universidade americana. O projeto deve ser concluído em um ano e meio e já conta com a participação de outras instituições renomadas, como as universidades de Oxford, na Grã-Bretanha; Harvard, Stanford e Michigan, nos Estados Unidos, e a Biblioteca Pública de Nova York. A idéia, entretanto, enfrenta muita resistência entre as editoras, que argumentam na Justiça ser ilegal arquivar versões digitais de livros, sem garantir os direitos de copyright das obras. >> Leia mais
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Gemagem, Marcos Tavares

05/08/2006

Com um atraso de uns 20 anos, o escritor Marcos Tavares, 49 anos, nascido numa antiga casa de pedra, na Vila Rubim, em Vitória, e hoje radicado em Guaçuí, por insistência de amigos ora traz à lume a edição de seus antológicos poemas, no livro "GEMAGEM", publicado através da Lei Rubem Braga. Enquanto contista, em 1987 publicara o livro "No Escuro, Armados", que veio a conquistar a admiração de críticos de renome e de exigentes leitores. "Entre os muitos que escrevem por aqui (...), salvam-se tão poucos, com domínio de técnicas de linguagem, com algum conhecimento da língua, com realmente algo a dizer. Marcos Tavares é um deles.", escreveu a jornalista Sandra Aguiar sobre "No Escuro, Armados", em A GAZETA, Caderno Dois, 23-07-1987.

Por analogias fonéticas e semânticas, a palavra gemagem nos lembra: gemação, gema, gen, genética, gênio, engenharia. E tudo isso está presente nos poemas deste livro. Chama-se gemagem o processo pelo qual se retira dos vegetais a resina, ou o látex. E gemação é o processo de formação de gemas nos três reinos da natureza: animal (ovo), mineral (pedras) e vegetal (brotos). Com este título o autor alude à produção de suas jóias poéticas, do ovo de ouro, da pedra filosofal, em suas retortas operações verbais, alquímicas, matemáticas. Marcos burila palavras, fá-las gemas gemidas, germinadas nas minas da alma, qual pedras viventes, jóias da língua. O título do livro vincula-se ao poema "Gema Gemido" (dedicado a Oscar Gama, outro poeta, cujo sobrenome serviu de mote a essa jogada criativa).

Como bem o demonstram os avançados estudos científicos, a Natureza obedece a um plano matemático na construção de formas nos reinos mineral, vegetal e animal, que revela uma ordem cósmica: padrões de simetria e harmonia assombrosos, tanto em níveis macro quanto micro. Demiurgo, o poeta cria seres de linguagem em que aparecem esses sinais da arquitetura divina.Diálogo. Escritos entre 1976 e 1984, uns já publicados nas revistas capixabas Letra e Ímã, outros premiados em concursos literários daqui, e alguns inéditos, os poemas de "GEMAGEM" revelam um poeta consciente e atento às ideologias políticas e estéticas. Daí que a maioria dos poemas é construída segundo os padrões formais da poesia concreta, do poema processo, do poema práxis, da arte engajada, da literatura popular e erudita. Ou seja: ciente de que está numa aldeia global, Marcos dialoga com várias correntes da poesia brasileira.

Nessa linha da relação dialética com outras vozes estão os poemas intertextuais, em que o poeta dialoga com os seus pares, através de paródias, da apropriação, da mímese estilística à Drumonnd e à Cabral, de concretistas, de praxistas, de autores anônimos da literatura popular, do folclore (formas simples), exibindo seus dotes camaleônicos. O poeta é um fingidor? Melhor, o poeta é um ator que se desdobra em "trezentos e cinqüenta" eus e outros em constantes assembléias e diálogos. Por isso, dos 50 poemas de GEMAGEM, 17 são intertextuais e metalingüísticos.

Nos poemas metalingüísticos o poeta nos apresenta a sua poética, e diz o que pensa de sua arte, seus instrumentos e limitações. Confiram-se: "Da isenção do instante" (p. 25), "Do linguajar das pedras" (p. 48), "Poetílico"(p.50), "Canto outra vez adiado" (p.53-55), "Mundo versus palavras" (p. 82), "Saudação à ave que passará" (p. 86), "Do desencanto do poemador" (p. 87) – este, sintomaticamente, o último poema.

Ciência e arte. Embora o pai o quisesse engenheiro, e sendo esportista e ex-estudante de Matemática e de Economia, na Ufes, o poeta incorporou em seus poemas a disciplina, as harmonias, a construção verbal, a condensação, o exercício formal, a reflexão social. Observem-se, por exemplo, as simetrias e os detalhes formais presentes no título Gemagem e no poema "Gema gemido" (tanto na forma do poema, quanto no verso "a bala abala a rara arara" – onde se pode notar desde o impacto do projétil, representado pelo som da letra b, até a própria bala, representada pela letra a atravessando o verso de um lado ao outro). Seria fantasioso demais observar que o título Gemagem é a combinação de 4 letras (o tetragrama G-E-M-A), que lembram as bases químicas (o tetragrama A-C-G-T ), e que "Gema gemido", poema nuclear do livro possui 23 pares de versos (lembrando os cromossomos)? Em tempos de decifração de um possível Código DaVinci, tudo é possível.

Nesse poema, que alude ao título, o assunto é a morte de uma ave ("rara arara"), que é clara metáfora do poeta. É interessante observar como o "poemador" (MT prefere assim) vincula essas imagens e se identifica com as aves, almas penosas neste mundo ímpio, avoado, nos poemas "Visita do anjo" (p.60-61 ), "Saudação à ave que passará" (p. 86), "Gema gemido"(p. 21-22), "Da metafísica do ovo e da galinha" (p.23-24 ), todos metaforizando a figura e a situação do poeta, "potencial marginalizado numa sociedade materialista e consumista", conforme diz MT no Prefácio. Isso nos remete à velha discussão sobre a função ou utilidade da poesia, o desprezo burguês aos poetas, e também a linguagem dos pássaros, ou anjos, ou deuses. Que, no final da conta, é a poesia.

Contexto. No seu prefácio intitulado "Ruminações ao redor do ovo", Tavares nos informa sobre o contexto de sua escritura, e cita um caso de patrulhamento ideológico que sofreu. Também revela seu relacionamento com quase todos os nomes expressivos da literatura daqueles anos: sobretudo Oscar Gama e Miguel Marvilla (do grupo Letra), Fernando Tatagiba, o autor deste artigo, Gilson Soares, Deny Gomes e os adeptos de oficina literária, Paulo Sodré, Francisco Grijó, Adilson Villaça, Alvarito Mendes, Benilson Pereira etc.

Por força de sua consciência ética, de sua luta pela dignidade humana, MT aborda temas de interesse social, alguns recorrentes, tais como: violência, guerra, militarismo, arbítrio, destruição, morte, ecologia; negritude; religião; trabalho; vício; amor erótico e fraterno, incluindo poemas homoeróticos.

Num momento em que muitos poetas bandearam para o verso fácil, quase fala em estado bruto (referimo-nos à poesia marginal) e outros refugiaram-se no formalismo estéril, ele aprofundou-se na pesquisa de forma e de conteúdo, sem abrir mão da inteligibilidade. Tornou-se, sem alarde, não apenas um poeta do seu tempo, mas também contra o seu tempo.Conclusão. A recorrência de temas, motivos, abordagens, imagens, técnicas e recursos dá uma coerência e equilíbrio ao conjunto dos poemas, revelando um plano de construção, uma intencionalidade, um pensamento pautado numa ética e num projeto de vida em que sobressaem justiça e dignidade.

Marcos Tavares dá uma bela lição de competência e talento, de largueza de espírito, de consciência da aliança entre arte e vida, entre ética e estética. Por isso, recomendo a leitura não só dos poemas mas também do dito prefácio e dos aspectos biográficos do autor em foco.Waldo Motta é autor de "Eis o Homem", "Poiezen", "Bundo" e "Recanto",entre outros.

Para ter mais informações sobre Waldo Motta, clique aqui.

Fonte

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

A revista NÚMERO está on-line

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Sarau na quebrada

Revista da Folha - 30/7/2006
por Joca Reiners Terron

Ao contrário de outros tempos, a literatura não tem mais a relevância social que já teve, e cada vez mais o ato de produzi-la perde sua condição de ofício. Na periferia, o escritor é o ornitorrinco, um "outsider" que escapa aos padrões de seu habitat. De que serve, ali, algo que não é ofício? Como esses escritores são solitários. Sacolinha e Alessandro Buzo são ornitorrincos que exercem sua esquisitice na Cooperifa, grupo de escritores da periferia que edita seus próprios livros e promove leituras, criado em 1999 pelo poeta Sérgio Vaz, 42, ex-auxiliar de escritório, no bairro do Pirapozinho, zona sul de São Paulo. Criar bibliotecas também é a maneira de fazer revolução arranjada por Maria Nilda Mota de Almeida, a Dinha, 27, poeta, formada em Letras pela USP. Assim como Sérgio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo, eles não são o tipo de gente convidada para a Flip (Feira Literária Internacional de Parati). Mas criaram outra, à sua imagem e semelhança: a Flap, que em vez da bucólica Parati ocupa o concreto da praça Roosevelt.
Clique aqui e leia trechos de obras de Buzo, Sérvio Vaz e Dinha.

>> Leia mais

Segunda-feira, Julho 31, 2006

CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC 2006 -- Lançamento de Livros

Títulos a serem lançados no Congresso 2006
  1. Alcides Cardoso dos Santos. Estados da Crítica. São Paulo/ Curitiba: Ateliê Editorial / Editora da Universidade Federal do Paraná, 2006
  2. Alcides dos Santos, Fabio Akcelrud Durão e Maria das Graças da Silva. Desconstruções e Contextos Nacionais. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2006.
  3. Álvaro Marins. Machado de Assis e Lima Barreto: da ironia à sátira. Rio de Janeiro: Utópos, 2004.
  4. Antonio Dimas. Bilac, o jornalista: Crônicas: Volumes 1 e 2. São Paulo: EDUSP/Imprensa Oficial do Estado / Editora da Unicamp, 2006. 3 vols.
  5. Ana Cristina Chiara. Ensaios de possessão (irrespiráveis). Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2006
  6. André Bueno, org. Literatura e sociedade – narrativa, poesia, cinema, teatro e canção popular. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.
  7. Aurora F. Bernardini, org., trad,. e prefácio. Indícios Flutuantes - Poemas de Marina Tsvetáieva. S. Paulo: Martins Fontes, 2006.
  8. Célia Pedrosa e Maria Lucia Barros Camargo (orgs.). Poéticas do olhar e outras leituras de poesia. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.
  9. Conceição Evaristo. Ponciá Vicêncio. Romance. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003/2005.
  10. -----. Becos da Memória. Romance. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2006
  11. Cristiane Brasileiro Mazocoli Silva. Pequeno Grande Mundo:uma literatura em crise de alteridade. Rio, Editora Caetés, 2004.
  12. Cristiane Brasileiro e Luiz Fernando Medeiros de Carvlho. Retrato do Artista Enquanto Sempre. Niterói, Editora Niterói-Livros, 2006.
  13. Cyana Leahy. A leitura e o leitor integral. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2006
  14. Daniela Beccaccia Versiani. Autoetnografias: conceitos alternativos em construção. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005.
  15. Denílson Lopes. O Cinema dos Anos 90. Chapecó: Ed. Argos, 2005.
  16. Eduardo de Assis Duarte. Literatura, política, identidades. Belo Horizonte: FALE-UFMG, 2005.
  17. Eleonora Ziller Camenietzki. Poesia e política: a trajetória de Ferreira Gullar. Rio de Janeiro: Revan, 2006.
  18. Eliane Egpy Ganem. A cor do negro - comunicação transpessoal na arte, na ciência e na espiritualidade. Niterói: Booklink/UFF, 2006.
  19. Enilce Albergaria. GLISSANT, Édouard. Introdução a uma poética da diversidade. Juiz de fora: Editora da UFJF, 2005.
  20. Eurídice Figueiredo. Conceitos de Literatura e Cultura. Rio de Janeiro: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2006.
  21. Flávio Boaventura. Delírio trêmulo (poemas). Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003.
  22. Fábio Figueiredo Camargo. A escrita dissimulada - Um estudo de Helena, Dom Casmurro e Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Edição do autor, 2005.
  23. Francisco Venceslau dos Santos e Carlinda Fragale Pate Nuñez, organizadores. Encontro com Adorno. Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2004.
  24. Francisco Venceslau dos Santos. Subjetividades da ficção brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Editora Europa, 2004.
  25. Graciela Cariello & Graciela Ortiz, compiladoras.Tramos y Tramas- Culturas, lenguas y literaturas. Estudios Comparativos. Centro de Estudios Comparativos, Facultad de Humanidades y Artes - Universidad Nacional de Rosario. Rosario (Argentina): Laborde, 2006.
  26. Gustavo Bernardo. Verdades quixotescas. São Paulo: Annablume, 2006.
  27. Humboldt. Linguagem, Literatura e Bildung. Traduções de Paulo Oliveira, Luiz Montez, Karin Volobuef, Markus J. Weininger, Álvaro Alfredo Bragança Júnior, Izabela Maria Furtado Kestler, Maria Aparecida Barbosa, Paulo Astor Soethe e Susana Kampff Lages. Organização de Werner Heidermann e Markus J. Weininger. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2006
  28. Jens Anderman & Beatriz Gonzalez-Stephan (orgs.) Galerias del progreso. Museos, exposiciones y cultura visual en America Latina. livro bilingue (esp/port.) Buenos Aires: Editora Beatriz Viterbo, 2006.
  29. Igor Rossini. Os inocentes. Salvador:Vento Leste, 2006.
  30. Ivone Daré Rabello. Um canto à margem. Uma leitura da poética de Cruz e Sousa. São Paulo: Nankin/Edusp, 2006.
  31. João Cezar de Castro Rocha, org. The Author as Plagiarist: The Case of Machado de Assis. Dartmouth: University of Massachusetts Press, 2006.
  32. João Cezar de Castro Rocha, org. À roda de Machado de Assis: ficção, crônica e crítica. Chapecó: Argos, 2006.
  33. João Cezar de Castro Rocha, org. Cordialidade à brasileira? Rio de Janeiro: Editora do Museu da República, 2005.
  34. João Cezar de Castro Rocha, org. O exílio do homem cordial: ensaios e reflexões. Rio de Janeiro: Editora do Museu da República, 2004.
  35. Lélia Parreira Duarte. As máscaras de Perséfone - figurações da morte nas literaturas portuguesa e brasileira contemporâneas. Rio de Janeiro/ Belo Horizonte: Editora PUC Minas / Bruxedo (RJ), 2006.
  36. Lucia Helena. A solidão tropical. O Brasil de Alencar e da modernidade. Porto Alegre: EdPUCRS, 2006. 234 pp
  37. Luiz Fernando Medeiros de Carvalho. Cenas Derridianas. Rio, Editora Caetés, 2004
  38. Luiz Fernando Medeiros de Carvlho e Cristiane Brasileiro. Retrato do Artista Enquanto Sempre. Niterói, Editora Niterói-Livros, 2006
  39. -----, ed.Veredas de Rosa III - Seleção de comunicações apresentadas no III Seminário Internacional G.Rosa, de 2004. Belo Horizonte, Editora PUC Minas, 2006.
  40. Luiz Costa Lima. História. Ficção. Literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
  41. Malcolm McNee & Joshua Lunda. Gilberto Freyre e os estudos latino-americanos. Northampton, MA: Instituto Internacional de Literatura Ibero-americana, 2006.
  42. Marcel de Lima Santos. Trinsparição é conseguimento/the book of nurizen. Belo Horizonte: Mazza edições, 2005.
  43. Márcia Abreu. Cultura letrada: literatura e leitura. São Paulo: Ed. UNESP, 2006. 136 p. (Coleção Paradidáticos)
  44. Márcia Arbex. Poéticas do Visivel: ensaios sobre a escrita e a imagem.
  45. Marcia Cavendish Wanderley. O Terceiro Jardim. Rio de Janeiro: Editora da Palavra,2006.
  46. Maria Antonieta Jordão de Oliveira Borba. Sentidos de interpretação. Rio de Janeiro: M.A. Jordão Borba, 2006.
  47. Maria Aparecida Andrade Salgueiro. Escritoras Negras Contemporâneas - Estudo de narrativas - Estados Unidos e Brasil. Rio de Janeiro: Caetés, 2004.
  48. Maria Aparecida Andrade Salgueiro (Org.) A República e a Questão do Negro no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Museu da República, 2005.
  49. Maria Auxiliadora Ferreira Lima & Wander Nunes Frota. FHOROS: Estudos lingüísticos e literários. Editora Caetés: Rio de Janeiro, 2006.
  50. Maria Betânia Amoroso, Ettore Finazzi-Agrò, Roberto Vecchi (orgs.) Travessias do pós-trágico: os dilemas de uma leitura do Brasil. São Paulo: Unimarco, 2006.
  51. Maria de Lourdes Patrini. A Renovação do conto. Emergência de uma pratica oral. São Paulo: Cortez Editora: junho 2005.
  52. Maria do Carmo Campos & Martha G. A. Azevedo. Protasio Alves e o seu tempo. Prefácio Moacyr Scliar. Porto Alegre: Já Editores, 2006.
  53. Maria Elizabeth Chaves de Melo & Leyla Perrone-Moisés. De volta a Roland. Barthes. Niterói: EDUFF, 2005
  54. Maria Lídia Lichtscheidl Maretti. O Visconde de Taunay e os fios da memória. São Paulo: Editora da Unesp, 2006.
  55. Maria Lúcia Outeiro Fernandes, Guacira Marcondes Machado Leite e Maria de Lourdes Ortiz Gardini Badan, org. Estrelas extremas: ensaios sobre poesia e poetas. Laboratório Editorial FCL/UNESP, de Araraquara / Cultura Acadêmica Editora, de São Paulo.
  56. Maria Zaira Turchi e Vera Maria Tietzmann Silva. Leitor formado, leitor em formação: a leitura literária em questão. Assis/ São Paulo : ANEP/Cultura Acadêmica, 2006.
  57. Mário Cezar Silva Leite (Org.). Mapas da Mina: estudos de literatura em Mato Grosso. Cuiabá : Cathedral Publicações, 2005.
  58. Maurício Silva Sentidos Secretos. Ensaios de Literatura Brasileira . São Paulo: Altana, 2005)
  59. Maurício Silva. A Hélade e o Subúrbio. Confrontos Literários na Belle Époque Carioca São Paulo: Edusp, 2005.
  60. Nonada: Letras em Revista, Porto Alegre, Ano 8, n.8, 2005: organizado por Regina da Costa da Silveira. ISSN 1517-3453
  61. Nonada: Letras em Revista, Porto Alegre, Ano 9, n. 9 (2006): organizado por Regina da Costa da Silveira. ISSN 1517-3453
  62. Paulo Cezar Alves Custódio. Catálogo de Revistas Lietrárias Brasileiras - 1970 a 2005.
  63. Paulo Sérgio Nolasco dos Santos. O outdoor invisível : Crítica reunida. Campo Grande: EditoraUFMS, 2006.
  64. Raimunda Celestina Mendes da Silva. A representação da seca na narrativa piauiense: séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Caetés, 2005.
  65. Rick J. Santos. Latin American Shakespeares. Cranbury, NJ: Fairleigh Dickingson University Press, 2006.
  66. Revista ArtCultura. n.º 11, Uberlândia: Edufu, 2006. Adalberto Paranhos, ed.
    Revista ECOS - Literatura e lingüística. Tema: Estudos Portugueses e Africanos / Memória, Sujeito e Ensino de Língua.
  67. RODRIGUES, Agnaldo (organizador). Cáceres: Unemat Editora, 2005.
  68. Revista Forum Deutsch- Revista brasileira de estudos germânicos. Izabela Maria Furtado Kestler, ed.
  69. Revista Interfaces Brasil/Canadá. N. 6, Rio Grande, 2006. Núbia Hanciau, ed.
  70. Revista Itinerários (UNESP), vol. 23. Karin Volobuef, ed.
  71. Revista Matraga (da Pós-Graduação em Letras da UERJ). N. 17 e 18.
  72. Revista Scripta no. 17 - Guimarães Rosa. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2006. Lélia Parreira Duarte, ed.
  73. Roberto Acízelo de Souza. Crítica reunida; 1850-1892. Organização, introdução e notas de José Américo Miranda, Maria Eunice Moreira e Roberto Acízelo de Souza. Porto Alegre: Nova Prova, 2005.
  74. Roberto Acízelo de Souza. Iniciação aos estudos literários; objetos, disciplinas, instrumentos. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
  75. Rosana Ribeiro Patrício. As filhas de Pandora - Imagens de Mulher na ficção de Sonia Coutinho. Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.
  76. SEDLMAYER, Sabrina. Pessoa e Borges, Quanto a mim: eu. Lisboa: Edições Vendaval, 2004.
  77. Sandra Luna. Arqueologia da ação trágica: o legado grego. 2006
  78. Sandra Regina Goulart Almeida (Org.). Perspectivas Transnacionais. Belo Horizonte: Abecan/Fale/UFMG, 2005.
  79. Sergio Barcellos. Armadilhas para a narrativa - Estratégias narrativas em dois romances de Carlos Sussekind. Rio de Janeiro: Editora Velocípede, 2006.
  80. Socorro de Fátima Pacífico Vilar. A invenção de uma escrita: Anchieta, os jesuítas e suas histórias. Porto Alegre: PUCRS, 2006.
  81. Solange Ribeiro de Oliveira. Itinerário de Sofotulafai: (auto)biografia literária de Abgar Renault. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2005.
  82. Sonia Torres. Nosotros in USA. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
  83. Sonia Torres, org. Raízes e rumos. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001.
  84. Theo Roos. Vitamina Filosófica. Traduzido do alemão por Maria Aparecida Barbosa. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2006.
  85. Vera Lins. Poesia e critica:uns e outros. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005.
  86. Vera Lucia de Oliveira. No coração da boca. São Paulo: Ed. Escrituras, 2006.
  87. Vera Teixeira de Aguiar e Alice Áurea Penteado Martha, orgs. Territórios da leitura: da literatura aos leitores. Assis/São Paulo: ANEP/Cultura Acadêmica, 2006.
  88. Yasmin Jamil Nadaf. Machado de Assis em Mato Grosso. Textos críticos da primeira metade do século XX. Rio de Janeiro: Lidador, 2006.
  89. Zilá Bernd & Pierre Anctil, éds. Canada from the outside in/Le Canada vu d'ailleurs. Bruxelas: P.L.E. Peter Lang, 2006.

selecionados do multipliCIDADE 2006

A Comissão Organizadora do multipliCIDADE informa os projetos selecionados pela Comissão de Seleção, formada pelos artistas Marcela Prest, Marcus Vinícius e Rafael Massena. A seletiva foi realizada no dia 26 de julho de 2006. Foram selecionadas as propostas com viabilidade de execução dentro das condições do multipliCIDADE e de maior consonância com a contemporaneidade. A Comissão Organizadora agradece a inscrição de todos e divulga a lista dos selecionados!

Camila Mello (RS) César Cuninghant (SP) Claudia Paim (RS) Coletivo Madeirista (RO) Coletivo MaMa (ES) David Vianna (SP) Dawson (PA) Denilson Conceição (BA) Desvio Para o Vermelho (BA) Diego Ponder (CE) Eduardo Valle (RJ) EIA (SP) Gabriel Borém (ES) GIA (BA) Grupo CDM (RS) Grupo CoMteMpus (BA) Grupo Poro (MG) Jean Sartief (SP) José Augusto Loureiro (ES) Luciana Camuzzo (SP) Marcel Fernandes (PR) Marcílio Riegert (ES) Marcos Martins (CE) Marcus Vinícius (ES) Maurício Francco (PA) Melissa Flôres (RS) Ninamelp (PE) Orlando Lopes (ES) Pedro Costa (BA) Pedro Olaia (PA) Projeto Chã (SP) Rafael Massena (ES) Renato Marianno (ES) Tom Lisboa (PR) Viviane Cavalheiro (RJ)

Mais info

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Beco das Virtudes

PublishNews - 27/7/2006
Em um mundo povoado pelas megastores, acaba de ser inaugurada no Rio de Janeiro uma pequena livraria recheada de livros esgotados. A Beco das Virtudes é o paraíso dos amantes das artes e dos ratos de livrarias, que adoram escarafunchar por uma obra esquecida pelo pó. São sobretudo livros de arte, catálogos, livros de gravura, vídeo arte, com tiragens limitadas e edições autografadas. Para quem mora ou visita o Rio, o Beco das Virtudes fica em uma das últimas galerias trash do Leblon, na Avenida Ataulfo de Paiva 1174 loja 3. O telefone é 21-2249 9525 e o e-mail é becodasvirtudes@uol.com.br.

The Dumpster

A portrait of romantic breakups collected from blogs in 2005.

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Amigos do Livro - O Portal do Livro no Brasil




O portal Amigos do Livro foi inaugurado no dia 6 de outubro de 2001 e pertence ao Grupo Editorial Scortecci. Um endereço para estudo, pesquisa, divulgação e promoção do livro e do hábito da leitura. Tudo nele é grátis. Aqui você encontra: autores, editoras, livrarias e sebos, gráficas, bibliotecas, grupos literários e academias, prêmios e concursos, associações literárias e culturais, profissionais do livro, noticias sobre o mercado e o mundo do livro e serviços.

Cultura e Pensamento 2006


Pesquisadores e gestores da área cultural debatem, dia 26 de julho (quarta-feira), das 19 às 21 horas, na Sala dos Conselhos (Reitoria da UFBA), os principais aspectos das Linhas Temáticas do Cultura e Pensamento 2006.
O encontro tem por objetivo auxiliar os interessados em apresentar projetos às SELEÇÕES PÚBLICAS do Programa a indentificar questões relevantes, tendências e pensamentos que perpassam cada uma das Linhas Temáticas. Para o público, será uma prévia dos debates que serão realizados entre outubro e dezembro em todo País.

Data e horário:26/07/2006 (quarta-feira), das 19 às 21 horas
Local:Sala dos Conselhos da UFBARua Augusto Viana, s/n - Canela - Palácio da Reitoria - Salvador / BA
Convidados:- Paulo Costa Lima (Presidente da Fundação Gregório de Mattos);- Eneida Leal (Instituto de Letras, UFBA); - Paulo César Borges Alves (Coord. do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade); - Paulo Miguez (Coord. de Cultura da UFBA, pequisador do CULT, ex-secretário de Políticas Culturais do MinC).
Informações:(71) 3245-1472 / 9957-5617 e info@culturaepensamento.com.br

OutraTV

OutraTV
Uma TV atópica. Hegemonias desterritorializadas e intervalos fundamentais.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Multiplicidade literária

O Globo - 22/7/2006 - por Manya Millen e Rachel Berthol

A coluna No Prelo informa que entre 31 de julho e 4 de agosto, acontece na Uerj o 1º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic). Com tema geral "Lugares dos discursos", os simpósios propõem questionamentos literários em torno da internet, das mídias, das novas inserções locais e globais, das recentes conexões latino-americanas, além de temas mais pontuais, como a obra de Machado de Assis, as vozes africanas e a formação do leitor. Para informações, é possível consultar o site www.abralic.org.br. >> Leia mais

Sábado, Julho 22, 2006

A opção pelos livros

PublishNews - 20/7/2006

A edição de julho do jornal literário Rascunho - da editora curitibana Letras & Livros - publica os melhores momentos da conversa entre os escritores José Castello e Ignácio de Loyola Brandão no Teatro do Paiol, em junho passado. "Eu decidi pela literatura", disse Ignácio. "Eu não era bonito, não sabia cantar ou contar piadas, não sabia fazer nada. Mas podia fazer as pessoas me olharem." Outro destaque da edição é a entrevista com o escritor e jornalista Roberto Pompeu de Toledo. Já no caderno Viramundo, dirigido à literatura estrangeira, o destaque é o texto do escritor Rodrigo Gurgel sobre o livro Histórias do Sr. Keuner (Editora 34, 144 pp., 2006, R$ 29), de Bertolt Brecht. Conheça mais sobre o jornal Rascunho no site www.rascunho.com.br.

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Escritoras Suicidas, n. 8. Homem.

Quarta-feira, Junho 28, 2006

A lógica de um europeu autêntico

O Estado de S. Paulo - 25/6/2006
por Leonardo Trevisan

Decifrar a vontade dos deuses é mania antiga. Imitá-los, no entanto, sempre foi desejo manifesto dos humanos. O sociólogo Norbert Elias, discutindo a mistura entre avanço de civilização e o conceito de "caráter nacional", percebeu que "os deuses se civilizaram antes dos homens". No começo dos tempos, as divindades eram selvagens, apaixonadas, instáveis "um dia, mais amistosos, no outro, cruéis", iguais às forças da Natureza. Depois reduziram as oscilações, e surgiram figuras justas, morais, até bondosas, "sem perder o poder de atemorizar", é claro. Para o sociólogo, a civilização dos deuses pode confirmar a hipótese de "civilização a longo prazo dos humanos". Na coletânea Escritos & Ensaios - Estado, Processo e Opinião Pública 240 pp., R$ 29,90), organizada pelos professores Federico Neiburg e Leopoldo Waizbort, publicada pela Jorge Zahar Editores, com artigos inéditos e conferências transcritas, Elias discute a função da sociologia. >> Leia mais

Aventuras da história

Folha de S. Paulo - 25/6/2006
por Bento Prado Jr.

Após a publicação das traduções de "O Visível e o Invisível" e de "A Fenomenologia da Percepção", o leitor brasileiro tem agora acesso direto a três novos livros de Merleau-Ponty: A Estrutura do comportamento (Martins Fontes, 376 pp., R$ 42,50, trad. Márcia Valéria Martinez de Aguiar) (1942), As aventuras da dialética (Martins Fontes, 322 pp., R$ 42,50., trad. Claudia Berliner) (1955) e Psicologia e Pedagogia da Criança (Martins Fontes, 584 pp., R$ 64, trad. Ivone C. Benedetti) (aulas de 1949-1952, publicadas apenas em 2001). Sem dispormos ainda da totalidade da obra de um dos maiores filósofos franceses do século 20, ao lado de Bergson e de Sartre, já temos à mão uma importante parte dela, muito mais do que o suficiente para nos introduzirmos nesse pensamento cuja originalidade e cujo excepcional alcance são cada vez mais visíveis, a despeito das brumas que obscurecem, com a crescente escolarização da filosofia, o debate contemporâneo. Os três livros agora traduzidos marcam o início de seu itinerário filosófico e a "virada" que, no início da década de 50, o levaria a uma reformulação dos conceitos de natureza e de história e a uma nova concepção da "ontologia" -que podemos vislumbrar em sua última obra, inacabada em razão de sua morte precoce. >> Leia mais

'Novíssimos' apresentam angústia da filosofia pós-68

Folha de S. Paulo
24/6/2006 - por Luiz Felipe Pondé

A filosofia é uma disciplina com múltiplas vocações: a universidade, o cemitério, o mosteiro, o mercado. Quando fica restrita a um desses espaços, sai perdendo, ou em consistência, ou em profundidade, ou em sutileza. Sabe-se que a filosofia "está na moda" nos jantares chiques, mas isso, a priori, não precisa ser visto como uma traição à filosofia, porque mesmo a universidade a trai o tempo todo em nome da burocracia da objetividade. O livro de Sébastien Charles Comte-Sponville, Conche, Ferry, Lipovetsky, Onfray, Rosset - É Possível Viver o que Eles Pensam? (Barcarolla, 220 pp., R$ 38, trad. Maria Lucia Machado), é uma boa opção para quem quiser entrar em contato com alguns dos filósofos franceses em atividade depois da derrocada das "fórmulas" que abraçavam ou o marxismo, ou a psicanálise, ou o existencialismo como modos de redenção (pós)moderna em meio aos escombros de Deus. O autor consegue apresentar e entrevistar esses autores de modo consistente e claro, virtude necessária para uma filosofia que quer transitar entre o claustro e o mundo. >> Leia mais

A 'virada ética' proposta por Emmanuel Lévinas

O Globo - 24/6/2006 - por Evando Nascimento
Em 1966, viajando com um grupo de intelectuais franceses à universidade americana de Johns Hopkins, com a finalidade de difundir o estruturalismo, então em seu apogeu, Jacques Derrida surpreendentemente expôs os limites dessa corrente. Herdeiro do positivismo do século XIX, o movimento estrutural excluía com um só golpe tanto a disciplina da história quanto a da filosofia. Em sua conferência sobre Claude Lévi-Strauss, Derrida demonstrava que ignorar questões filosóficas consistia em filosofar inconscientemente ou em filosofar mal. A chamada "desconstrução" derridiana manterá uma interlocução cerrada com dois pensadores que a antecedem, ambos ainda vivos nos anos de 1960: o alemão Martin Heidegger e o lituano radicado na França Emmanuel Lévinas. Em Da existência ao infinito: ensaios sobre Emmanuel Lévinas (Loyola, 168 pp., R$ 18), Rafael Haddock-Lobo procura dar conta de uma tarefa colossal: refletir os pensamentos de Heidegger e sobretudo de Lévinas, tendo como referência desconstrutora os textos de Derrida.
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Filosofia do direito ganha obra pioneira

O Globo - 24/6/2006 - por Antônio Celso Alves Pereira

O Dicionário de filosofia do direito (Unisinos/Renovar, 874 pp., R$ 150), coordenado por Vicente de Paulo Barretto, é uma obra pioneira em língua portuguesa e vem cobrir uma lacuna significativa na lexicografia brasileira. Como salientava Antonio Houaiss, a cultura em língua portuguesa é das mais malservidas em termos lexicográficos. A publicação do dicionário foi concebida para que essa deficiência na bibliografia filosófica, social, política e jurídica brasileira sobre o direito fosse corrigida. Não se trata de um dicionário meramente lexicográfico, mas de um dicionário crítico, já que a sua estruturação editorial organiza-se em torno de verbetes, na verdade artigos que cobrem um amplo campo temático. >> Leia mais

Sexta-feira, Junho 16, 2006

Pesquisadores preparam dicionário "histórico"

06/12/2006
Pesquisadores preparam dicionário "histórico"

Folha de S. Paulo - RAFAEL CARIELLO

"E ainda que são contrarios os Tupiniquins dos Tupinambás, não ha entre elles na lingua e costumes mais differença, da que têm os moradores de Lisboa dos da Beira." Ao compararmos o vocabulário e uso que faziam das palavras os brasileiros dos primeiros séculos de América portuguesa com os de hoje, em muitos casos estamos tão próximos como os tupiniquins e tupinambás desta "Notícia do Brasil" relatada por Gabriel Soares de Sousa em 1587; em outros, mais diversos que portugueses e gentios.É para esclarecer no que nos aproximamos e no que mudamos, para usos na compreensão da história, sociedade e língua do Brasil, que um grupo de professores e pesquisadores universitários de dez instituições do país e uma mais de Portugal preparam, desde o início deste ano e pelos próximos três, um dicionário do português colonial.A empreitada é financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) com a rara verba para pesquisas na área de humanas de R$ 1 milhão.A equipe capitaneada pela professora Maria Tereza Biderman, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), ainda está no começo dos trabalhos -que se tornará um dicionário "físico" de mais de 10 mil verbetes e um banco de dados informatizado-, mas já é possível constatar algumas curiosidades, que apontam para constâncias e transformações da sociedade brasileira.Se na seara das classificações botânicas e zoológicas são dois mundos distintos que se descortinam, se no ramo da economia a abrangência e restrição de significados permitem acompanhar sua presença cada vez mais determinante na vida social, no campo do direito, cita a professora, os advogados de hoje e seus equivalentes do século 16 são tão próximos quanto os moradores de Lisboa e os da Beira."Seria muito interessante [o uso do futuro dicionário] para fazer pesquisas sobre o direito e a administração pública no Brasil, por exemplo", diz Biderman. "Termos das áreas dos direitos público e privado permanecem iguais hoje aos do século 16; não mudou nada."A constatação, por enquanto mera curiosidade, é fruto do início do trabalho, a partir da catalogação dos textos -entre eles, o relato de Gabriel Soares de Sousa- de que sairão os sentidos, permanências e mudanças de palavras do descobrimento ao século 18.Biderman diz esperar que um tal dicionário, inexistente no país, sirva em primeiro lugar aos historiadores, mas aposta que pesquisadores de outras áreas também poderão fazer uso do projeto.O financiamento partiu do programa "Institutos do Milênio", do CNPq, que busca fomentar pesquisas que envolvam pelo menos três diferentes universidades do país, de difícil execução e carentes de recursos maiores. Em 2005, de 236 propostas apresentadas, apenas duas na área de humanas foram aprovadas.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1206200610.htm

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Fernand Hallyn, Les structures rhétoriques de la science de Kepler à Maxwell

Une poétique de la science : - Fernand Hallyn, Les structures rhétoriques de la science de Kepler à Maxwell (éd. du Seuil, coll. Des Travaux, 2004)
Pierre MachereyUMR 8163 « Savoirs, textes, langage », Université Lille III/CNRS

Résumé
L’article présente l’ouvrage de Fernand Hallyn, Les structures rhétoriques de la science de Kepler à Maxwell (éd. Seuil, 2004), où sont explorées les formes d’imaginaire théorique qui se développent à la limite entre pratiques littéraires et pratiques scientifiques. Sans prendre le risque d’en faire rentrer les vérités dans une perspective relativiste au point de vue de laquelle la science ne serait qu’une manière particulière de mettre le réel en récit, cette démarche apporte un précieux éclairage sur le processus de la science non déjà toute faite mais en train de se faire, où interviennent, entre autres, des modèles repris à la rhétorique et à la poétique. Ceci pris en compte, on est amené à renoncer à l’idée selon laquelle la connaissance scientifique parviendrait tout d’un coup à des vérités nues, dépouillées de tout revêtement textuel, et pouvant être appréhendées indépendamment du processus de leur production, sous forme d’énoncés autonomes, comme des phrases qui ne prendraient pas d’emblée place dans des textes, à l’intérieur desquels elles revêtent un sens qui, pour une part, déborde les limites objectives de leur énoncé, et s’offre à être restitué au point de vue, non seulement d’une épistémologie, mais aussi d’une poétique.

Abstract
The paper presents Fernand Hallyn’s Les Structures rhétoriques de la science de Kepler à Maxwell (Seuil, 2004), as an exploration of the theoretical imagination’s forms spreading between literary and scientific practices. This approach refuses any relativism about truth for science is not considered as a particular way to fictionalize reality. Fernand Hallyn throws so new light not on the achieved science, but on the science process, as modeled by rhetoric and poetic. Such analysis leads to abandon the idea that scientific knowledge gives nude, untextual truths, independent of their production process, like self-sufficient statements or sentences wich could be considered out of the texts where they make sense. But the meaning is out off the objective limits of the statements : it can be restored not only as an epistemological but also as a poetical meaning.

http://methodos.revues.org/document473.html

As Identidades do Brasil

As Identidades do Brasil
240 págs., R$ 28 de José Carlos Reis.
Ed. FGV (praia de Botafogo, 190, 14º andar, CEP 22250-900, RJ, tel. 0/xx/21/2559-5543).

O professor de teoria da história e historiografia na Universidade Federal de Minas Gerais aborda a construção da identidade nacional e as diversas representações do país e do brasileiro desde o Descobrimento.

Cesário Verde

+ Poesia Cesário Verde A "Obra Poética Integral de Cesário Verde" reúne os textos do poeta português (1855-86). Autor realista pouco lido e compreendido em sua época, Cesário Verde também era conhecido como "poeta do cotidiano". Editora Landy (tel. 0/xx/11/ 3081-4169). Org. de Ricardo Daunt. 266 págs., R$ 40.

Domingo, Abril 30, 2006

Cartografia Sentimental

Cartografia Sentimental
248 págs., R$ 38 de Suely Rolnik. Editora Sulina (av. Osvaldo Aranha, 440, conjunto 101, CEP 90035-190, Porto Alegre, RS, tel. 0/xx/ 51/ 3311-4082).Em reedição por iniciativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o livro da psicanalista Suely Rolnik é herdeiro de "Cartografias do Desejo" (Vozes, 1986), escrito em parceria com o filósofo Félix Guattari (1930-1992).

O que É Cosmologia?

O que É Cosmologia?
176 págs., R$ 29 de Mário Novello. Ed. Jorge Zahar (r. México, 31, CEP 20031-144, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0/xx/21/2240-0226).O pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas analisa os fundamentos da cosmologia, propõe que o estágio atual deste ramo da astronomia pede um reexame dos fundamentos da física e analisa as raízes do saber científico.

Domingo, Abril 02, 2006

FEIRA METAFÍSICA

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minha lâmina sem face
descasca abacaxis, pepinos
metafísicos
abacates e cebolas

faço a xepa na feira
das idéias
: um Platão meio amassado
um Aristóteles passado (muito
bons pra sopas e caldos
variados)

almoço bom tem Descartes
enroladinho (e cozido)
Bacon frito, Hume ao ponto
Leibniz ao forno (e um bom
risoto de Spinoza
azeite a gosto, Kant
picadinho)

iguarias
acepipes
de uma dieta nobre
(a alma que não as compra
se não tiver outros cuidados
não se desenvolve: continua
pobre – apenas rima
e se dissolve no caldeirão
dos cobres)

experimento a lâmina
na minha própria carne
para precisar seu fio
sem maior alarde
(os convivas aguardam
de olho apenas no cardápio

: o melhor sabor vem
quando sabemos o que está no prato)

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ODE AO ÓCIO

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queria mesmo, mesmo que fosse por um dia,
que o mundo se abandonasse ao sabor
de vadiagem tal, que nada nem se mexesse
se não fosse por prazer e vontade própria.

que ninguém trabalhasse senão em seu ofício secreto;
e que o vento, se cansasse de soprar, tivesse o direito
de ficar quieto no seu cantoceano, fundo e desmundo.

queria mesmo e muito esse oásis de descanso
(a vida, de repente, viu-se tão falseada...)
: se não posso descreve-lê-lo, ainda assim dou-lhe versos
estranhamente brancos e deslavados.


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Domingo, Dezembro 04, 2005

LITERARY AND PHILOSOPHICAL ESSAYS
HARVARD CLASSICS V32

Contents
That we should not judge of our happiness until after our death thatto philosophise is to learne how to die of the institution andeducation of children of friendship of bookes by Montaigne
Montaigne
What is a classic? by Chasles-Augustin Sainte-Beuve
The poetry of the celtic races by Ernest Renan
The education of the human race by Gotthold Ephraim Lessing
Letters upon the aesthetic education of man by j. C. Friedrich Vonschiller
Fundamental principles of the metaphysic of morals
Transition from popular moral philosophy to the metaphysic of morals
Immanuel Kant
Byron and Goethe by Giuseppe Mazzini

THE RENAISSANCE: STUDIES IN ART AND POETRYWALTER HORATIO PATER
London: 1910. (The Library Edition.)

THE RENAISSANCE: STUDIES IN ART AND POETRYWALTER HORATIO PATER

CONTENTS
Preface: vii-xv
Two Early French Stories: 1 -29
Pico della Mirandola: 30-49
Sandro Botticelli: 50-62
Luca della Robbia: 63-72
The Poetry of Michelangelo: 73-97
Leonardo da Vinci: 98-129
The School of Giorgione: 130-154
Joachim du Bellay: 155-176
Winckelmann: 177-232
Conclusion: 233-end
A DEFENCE OF POETRY AND OTHER ESSAYS
By Percy Bysshe Shelley

ON LOVE
ON LIFE
IN A FUTURE STATE
ON THE PUNISHMENT OF DEATH SPECULATIONS
ON METAPHYSICS SPECULATIONS
ON MORALS
ON THE LITERATURE, THE ARTS AND THE MANNERS OF THE ATHENIANS
ON THE SYMPOSIUM, OR PREFACE TO THE BANQUET OF PLATO
A DEFENCE OF POETRY

E-TEXT: MYTH, RITUAL, AND RELIGION

MYTH, RITUAL, AND RELIGION
by Andrew Lang

Volume One

CONTENTS
PREFACE TO NEW IMPRESSION.
PREFACE TO NEW EDITION.
CHAPTER I. -- SYSTEMS OF MYTHOLOGY.
Definitions of religion--Contradictory evidence--"Belief inspiritual beings"--Objection to Mr. Tylor's definition--Definitionas regards this argument--Problem: the contradiction betweenreligion and myth--Two human moods--Examples--Case of Greece--Ancient mythologists--Criticism by Eusebius--Modern mythologicalsystems--Mr. Max Muller--Mannhardt.
CHAPTER II. -- NEW SYSTEM PROPOSED.
Chapter I. recapitulated--Proposal of a new method: Science ofcomparative or historical study of man--Anticipated in part byEusebius, Fontenelle, De Brosses, Spencer (of C. C. C., Cambridge),and Mannhardt--Science of Tylor--Object of inquiry: to findcondition of human intellect in which marvels of myth are parts ofpractical everyday belief--This is the savage state--Savagesdescribed--The wild element of myth a survival from the savagestate--Advantages of this method--Partly accounts for wideDIFFUSION as well as ORIGIN of myths--Connected with generaltheory of evolution--Puzzling example of myth of the water-swallower--Professor Tiele's criticism of the method--Objections to method, and answer to these--See Appendix B.
CHAPTER III. -- THE MENTAL CONDITION OF SAVAGES--CONFUSION WITH NATURE--TOTEMISM.
The mental condition of savages the basis of the irrational elementin myth--Characteristics of that condition: (1) Confusion of allthings in an equality of presumed animation and intelligence;(2) Belief in sorcery; (3) Spiritualism; (4) Curiosity; (5) Easycredulity and mental indolence--The curiosity is satisfied, thanksto the credulity, by myths in answer to all inquiries--Evidence forthis--Mr. Tylor's opinion--Mr. Im Thurn--Jesuit missionaries'Relations--Examples of confusion between men, plants, beasts andother natural objects--Reports of travellers--Evidence frominstitution of totemism--Definition of totemism--Totemism inAustralia, Africa, America, the Oceanic Islands, India, North Asia--Conclusions: Totemism being found so widely distributed, is a proofof the existence of that savage mental condition in which no lineis drawn between men and the other things in the world. Thisconfusion is one of the characteristics of myth in all races.
CHAPTER IV. -- THE MENTAL CONDITION OF SAVAGES--MAGIC-- METAMORPHOSIS--METAPHYSIC--PSYCHOLOGY.
Claims of sorcerers--Savage scientific speculation--Theory ofcausation--Credulity, except as to new religious ideas--"Post hoc,ergo propter hoc"--Fundamental ideas of magic--Examples:incantations, ghosts, spirits--Evidence of rank and otherinstitutions in proof of confusions of mind exhibited in magicalbeliefs.
CHAPTER V. -- NATURE MYTHS.
Savage fancy, curiosity and credulity illustrated in nature myths--In these all phenomena are explained by belief in the generalanimation of everything, combined with belief in metamorphosis--Sunmyths, Asian, Australian, African, Melanesian, Indian, Californian,Brazilian, Maori, Samoan--Moon myths, Australian, Muysca, Mexican,Zulu, Macassar, Greenland, Piute, Malay--Thunder myths--Greek andAryan sun and moon myths--Star myths--Myths, savage and civilised,of animals, accounting for their marks and habits--Examples ofcustom of claiming blood kinship with lower animals--Myths ofvarious plants and trees--Myths of stones, and of metamorphosisinto stones, Greek, Australian and American--The whole naturalphilosophy of savages expressed in myths, and survives in folk-loreand classical poetry; and legends of metamorphosis.
CHAPTER VI. -- NON-ARYAN MYTHS OF THE ORIGIN OF THE WORLD AND OF MAN.
Confusions of myth--Various origins of man and of things--Myths ofAustralia, Andaman Islands, Bushmen, Ovaherero, Namaquas, Zulus,Hurons, Iroquois, Diggers, Navajoes, Winnebagoes, Chaldaeans,Thlinkeets, Pacific Islanders, Maoris, Aztecs, Peruvians--Similarity of ideas pervading all those peoples in variousconditions of society and culture.
CHAPTER VII. -- INDO-ARYAN MYTHS--SOURCES OF EVIDENCE.
Authorities--Vedas--Brahmanas--Social condition of Vedic India--Arts--Ranks--War--Vedic fetishism--Ancestor worship--Date of Rig-Veda Hymns doubtful--Obscurity of the Hymns--Difficulty ofinterpreting the real character of Veda--Not primitive butsacerdotal--The moral purity not innocence but refinement.
CHAPTER VIII. -- INDIAN MYTHS OF THE ORIGIN OF THE WORLD AND OF MAN.
Comparison of Vedic and savage myths--The metaphysical Vedicaccount of the beginning of things--Opposite and savage fable ofworld made out of fragments of a man--Discussion of this hymn--Absurdities of Brahmanas--Prajapati, a Vedic Unkulunkulu or Qat--Evolutionary myths--Marriage of heaven and earth--Myths of Puranas,their savage parallels--Most savage myths are repeated in Brahmanas.
CHAPTER IX. -- GREEK MYTHS OF THE ORIGIN OF THE WORLD AND MAN.
The Greeks practically civilised when we first meet them in Homer--Their mythology, however, is full of repulsive features--Thehypothesis that many of these are savage survivals--Are there otherexamples of such survival in Greek life and institutions?--Greekopinion was constant that the race had been savage--Illustrationsof savage survival from Greek law of homicide, from magic,religion, human sacrifice, religious art, traces of totemism, andfrom the mysteries--Conclusion: that savage survival may also beexpected in Greek myths.
CHAPTER X. -- GREEK COSMOGONIC MYTHS.
Nature of the evidence--Traditions of origin of the world and man--Homeric, Hesiodic and Orphic myths--Later evidence of historians,dramatists, commentators--The Homeric story comparatively pure--Thestory in Hesiod, and its savage analogues--The explanations of themyth of Cronus, modern and ancient--The Orphic cosmogony--Phanesand Prajapati--Greek myths of the origin of man--Their savageanalogues.
CHAPTER XI. -- SAVAGE DIVINE MYTHS.
The origin of a belief in GOD beyond the ken of history and ofspeculation--Sketch of conjectural theories--Two elements in allbeliefs, whether of backward or civilised races--The Mythical andthe Religious--These may be coeval, or either may be older than theother--Difficulty of study--The current anthropological theory--Stated objections to the theory--Gods and spirits--Suggestion thatsavage religion is borrowed from Europeans--Reply to Mr. Tylor'sarguments on this head--The morality of savages.

E-TEXT: Impiety & Immorality OF THE English Stage

A REPRESENTATION OF THE Impiety & Immorality OF THE English Stage, WITH Reasons for putting a Stop thereto: and some Questions Addrest to those who frequent the Play-Houses.

The Third Edition.

LONDON,

Printed, and are to be Sold by J. Nutt near Stationers-Hall, 1704.

E-TEXT: LIFE & MATTER IN CONFLICT

THE MEANINGOF THE WAR
LIFE & MATTER IN CONFLICT

BY HENRI BERGSON

WITH AN INTRODUCTION BYH. WILDON CARR
LONDONT. FISHER UNWIN LTD.ADELPHI TERRACE
English translation first published June 1915
Second impression, July 1915
Third impression, August 1915

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

COMO FUNCIONA

Este site (...) ensina com textos e gráficos muito bem elaborados como as coisas funcionam. Todo tipo de coisa: desde uma fechadura até o motor de um Mercedes, passando por metralhadoras. http://www.howstuffworks.com/

Segunda-feira, Agosto 15, 2005

Poetas que Pensaram o Mundo

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ENSAIOS
Poetas que Pensaram o Mundo

Reunião de ensaios que abordam a história do pensamento por meio da poesia. Organizada por Adauto Novaes, inclui artigos de grandes nomes da crítica nacional como Benedito Nunes, Antonio Cicero, Michel Déguy e José Miguel Wisnik. Entre os poetas analisados estão Homero (por Antonio Medina Rodrigues), Francis Ponge (por Marcelo Coelho), Goethe (por Márcio Suzuki) e Shakespeare (por Carlos Antônio Leite Brandão), entre outros. Lançamento da Companhia das Letras (tel. 0/xx/ 11/3707-3500). 480 págs., preço ainda indefinido.
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Sexta-feira, Agosto 12, 2005

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTEXTO DE FORMAÇÃO DO GÊNERO TRÁGICO

Ensaio apresentado à Profª Drª Carlinda Fragale Pate Nuñez, como atividade do curso “A tragédia e o trágico”, crédito para a disciplina “Textos Seminais em Teoria da Literatura”, no Doutorado em Literatura Comparada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Rio, 1º Semestre de 2005.



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONTEXTO DE FORMAÇÃO DO GÊNERO TRÁGICO


A “dialética da eticidade” (Szondi, 2004) pode ser tomada como uma “chave” para compreender o pensamento hegeliano, ao sugerir que se explorem os conceitos “dialética” e “ética” de forma autônoma e integrada ou, melhor, que se explorem as possíveis mediações entre as grades conceituais concernentes aos dois termos, um relativo ao processo de construção do pensamento, e outro relativo à base mesma de sua constituição racional: quando a “natureza ética” põe-se frente à sua própria “natureza inorgânica”, ocorre uma “luta” entre ambas, uma luta que somente se resolve quando no próprio reconhecimento da diferença entre uma e outra – no próprio ser dessas duas naturezas – encontra-se uma reconciliação com uma unidade primordial (que não se deve confundir com “anterior”), a “essência divina” (Hegel, 1914[1802] apud Szondi, 2004[1961[4]] [ano de impressão[ano de edição[ano de reedição].
Na medida em que o ethós é o atributo sobre o qual incide nossa percepção mais direta da dialética, neste momento, parece ser boa a estratégia de discorrer primeiramente sobre ele, para depois indagar pelas formas de sua constituição como processo dialético. Quanto à consistência dessas notas, pede-se lhes conceder o estatuto de meras hipóteses iniciais, a serem revisadas e ampliadas para a formação de referencial teórico e metodológico para tese que ainda se divisa distante. A intenção do autor é alinhavar pontos e antecipar uma agenda de discussões sob a forma de um ensaio preliminar, no qual se divise a amplitude e a importância dessa forma simbólica na construção de nossas instituições, de nossos discursos, de nossas formas de organização social e de nossos sistemas de valores.
Quando ouvimos preleções sobre “ética” (em escolas, igrejas, empresas...), não raro fica-nos a impressão de que o discurso veiculado resguarda sempre uma “zona cinza”, “nublada” e, em termos mais técnicos, “hermética”. A despeito de o conceito ter-se cristalizado em disciplina escolar, as definições constituídas a respeito do que venha a ser “ética” parecem sempre assombradas pelos mesmos fantasmas que tomam outras formações oriundas daquilo que poderíamos chamar “metafísica clássica” (a que se estende até o século XIX) e a “metafísica contemporânea” (que se estabelece no transcorrer do século XX). Não são raros, por exemplo, os cursos de graduação que a incorporam, nas mais variadas áreas de atuação profissional, com intenção de “humanizá-las”.
Sendo uma expressão tão “necessária” à conformação do “ensino superior”, e uma referência tão constante nos jargões das mais diversas áreas produtivas, não seria censurável a expectativa de que esse termo fosse da maior familiaridade em todas as comunidades lingüísticas de qualquer sociedade que se permita estruturar segundo algum derivado da pólis grega. No sentido mesmo em que a pólis somente existe “encarnada” em cada cidadão que a compõe, poderemos compreendê-la como uma “consciência” e uma “aceitação” de um espírito de coletividade e de mútua coerção social, razoavelmente “explícita” nos discursos citadinos (como a filosofia, a arte, o direito, o comércio, etc.) que, efetivamente, moviam o cotidiano das cidades de então: “Os helenos começaram a venerá-las como deuses, ao invés de tratá-las simplesmente como utilidades públicas” (Toynbee, 1983[1959], p. 53). E, num sentido mais pragmático, essa primeira individualização pública, encarnada na figura do políteis que participa das funções segmentadas entre as classes que se integram na cidade,
A grande novidade introduzida certamente pelo próprio Pitágoras, na religiosidade órfica foi a transformação do processo de libertação da alma num esforço inteiramente subjetivo e puramente humano. A purificação resultaria do trabalho intelectual, que descobre a estrutura numérica das coisas e torna, assim, a alma semelhante ao cosmo, em harmonia, proporção, beleza. (Kuhnen, 1996, p. 18.)

Curiosamente, o termo ethós foi-se “erodindo” (num sentido bastante próximo ao empregao por Benjamin para referir as ruínas do drama alemão) à medida que a civilização helênica literalmente se fragmentava, “dissolvendo-se” em outros sistemas culturais[1]. Contudo, ao menos desde Cícero, podemos assinalar uma percepção bastante segura a respeito de uma distinção e de uma distenção do conceito de ethós, nos diversos e descontínuos processos “aculturação” e de “civilização”[2] da noção de “ética”. Logo no primeiro parágrafo de Sobre o destino, lemos:
... porque toca aos costumes, que eles (os gregos) chamam de êthos, e nós a essa parte da filosofia costumamos mencionar como filosofia dos costumes, mas convém que a enriquecente língua latina a nomeie de moral (...). (Cícero, 1993 [44 a.C], p. 9)

O “enriquecente latim” já formula de forma bastante explícita suas próprias diferenças em relação à impressão causada pelo helenismo na conformação cultural do próprio império romano. Partindo desse contexto, portanto, o conceito de “ética” pode dar-se ao questionamento de duas expressões facilmente vinculáveis como elementos em sua grade conceitual, as noções de “cultura” e “civilização”.
Trata-se de termos cujo uso mostra-se bastante indistinto, não raro apresentando sugestões de sinonímia que a mais breve e apressada leitura de Cícero já permitiria discutir. Afinal, na perspectiva em que é possível tomá-las, as expressões “cultura grega” e “civilização helênica” podem ser rastreadas em diversos autores, alguns cronologicamente mais próximos, como Arnold Toynbee[3] e Fernand Braudel[4], ou mais distantes, como os filósofos idealistas alemães que Szondi enfatiza (e que este ensaio busca localizar no fluxo e na influência do pensamento hegeliano a fixação de certos sentidos atribuídos aos dois vocábulos).
Tomando como ponto de partida o acesso que a nossa cultura (a “brasileira”, contraposta à “civilização ocidental”) tem da cultura grega, não será difícil perceber que quase toda referência guardará traços de latinização e de orientalização do legado helênico. Afinal, o Renascimento trata de uma re-interpretação (moldada em “instrumentos cognitivos” medievais, estes obnubilados pelo efeito mais aparente da consolidação de um “imaginário moderno”) de um conjunto de signos, de um estabelecimento de novos usos e funções para aqueles artefatos “repentinamente” recuperados e inseridos em outros contextos culturais.
E quanto ao idealismo alemão, de que o Romantismo nos havia aproximado durante o século XIX, este viu-se “neutralizado” pela presença rapidamente disseminada do ideário positivista, que ainda hoje condiciona – de forma truculenta ou sutil – o desenvolvimento de pensamento em vários setores do Estado Brasileiro, e do Pensamento que lhe dá suporte. No comentário de Paulo Eduardo Arantes,
(...) dialética é dessas palavras cujo emprego demanda toda um política. Por isso (...), em matéria de dialética, melhor praticá-la do que anunciá-la; mencioná-la, ainda que a propósito, é o meio mais seguro de conquistar aliados e fazer adversários sem que o assunto em pauta venha para o primeiro plano da análise e o acordo se faça em função do conteúdo exposto, e não das convicções anteriores. (1992, p.10.)

Ora, bastará dizermos que, na percepção de um grego da Antigüidade, não havia necessidade de se distinguir a constituição da pólis e a congregação humana que lhe dava consubstanciação material, para que possamos nos dar conta do quanto as distinções que orientam a conformação dos Estados modernos (os atuais Estados nacionais) continua sendo alinhada por um ethós “ocidental” que possui um arché logós helênico ou, mais concretamente, “platônico”. Até a Revolução Francesa, a organização dos Estados se conforma (ou deforma) a partir da “interpretação circulante” que se tenha podido fazer da “doutrina platônica”. A redescoberta idealista do legado helênico, ao incluir todo um programa de estudo de “origens” e antecedências, reinseriu o pensamento “pré-socrático”, que deu o suporte concreto para a elaboração das primeiras cidades-Estado (é sempre o pensamento platônico – e, por extensão, o aristotélico – pertencem ao que se pode definir como “segundo período” da filosofia grega (Watanabe, 1984, p. 31-32).
Para o grego antigo, a pólis e o cidadão (o politeis) que a habita se confundem: “(...) a cidade grega [na qual se conformam e consolidam as estruturas que dão forma à pólis] tem sempre dimensões humanas, dimensões para peões”[5] (Braudel, 2001, p. 258). A cidade protege o cidadão e o cidadão retribui, venerando-a e assumindo-a como símbolo pátrio; dessa proteção, da sensação de segurança que a cidade dá aos que são reconhecidos como cidadãos[6], surge repentinamente um espaço organizado a partir de relações sociais impessoais (e cada vez mais distintas entre as práticas da pólis e as dos diversos guénos ethós que a compõem[7]) no qual cada indivíduo pode recolher-se a fim de desenvolver atividades que não estejam diretamente ligadas à produção e/ou à subsistência; com o tempo livre, é possível discutir os caminhos mais prováveis para manter a Pólis e, ao mesmo tempo, permitir que os indivíduos se voltem para o conhecimento de seus próprios limites e potencialidades particulares.
Assim, e enfim, para um grego antigo, não havia necessidade de distinguir o ethós em subunidades mais explícitas, pois parecia à vista do senso comum suficientemente claro onde iniciava a presença da polis (a civita, nos termos dados pela cultura romana) na vida individual e onde a identidade que a cidade doava ao cidadão se permitia modular pelo “espírito” de cada guénos posto sob sua guarda. Aristóteles, por exemplo,
(...) não concordava com a fusão da civilização graga com a oriental. Segundo ele, gregos e orientais eram naturezas distintas, com distintas potencialidades, e não deveriam coexistir sob o mesmo regime político. Aristóteles estava profundamente convencido de que o regime político dos gregos era inseparável de seu temperamento, sendo impossível transferi-lo para outros povos. (Aristóteles, 2000, p. 9)

Esse espírito, esse “temperamento”, essa anima que movia efetivamente as estruturas da polis, já Cícero refere como o campo da “moral” e dos “costumes”; em nossa era, a formação do campo dos estudos antropológicos veio a retomar o étimo etnós, que aponta não para um Estado preocupado com a preservação das instituições que representam a Polis – “patriarcal” –, de forma altamente abstrata, mas sim de uma Nação – “matriarcal” – voltada para a mobilização de uma população que compartilha a mesma origem e que tende a ser referida de forma bastante concreta e, efetivamente, popular.
Em síntese, portanto, assumiremos que a “ambiência ocidental” processa um conjunto de traços materiais da cultura grega (como as tragédias de Sófocles) e simbólicos (como no caso dos arquétipos da organização institucional das cidades ocidentais), e que periodicamente, no transcorrer da História, o fenômeno da “helenização” (em sentido lato ou estrito) promove reformulações de representação (e de afetação) da matriz simbólica dessa cultura (o próprio guenós ethós ocidental, ou ocidentalizante) sobre os sistemas culturais situados – no dizer de Luís Costa Lima (2003) – às margens da Ocidentalidade.
Assim, podemos entender que, no seio da “cultura grega”, existe um fenômeno referido como ethós, e que esse vocábulo, no contexto de sua formação, indicava uma dupla formação simbólica, que conjugava a “potência” humana (sua dýnamis) à “eficiência” da pólis (sua mekhané) para a promoção de uma vida justa e agradável (Aristóteles, 2000, p. 9), dado que a idéia de cidade como origem de coerção é posterior à sua imagem de libertação do indivíduo de uma faina “quase” animalesca, de mera subsistência e temor da natureza.
A referência que a nossa cultura faz à cultura/civilização grega, o acesso mais comum que temos a essa tradição, quase toda ela sofre as “reverberações” de um “desvio” por entre as culturas do Oriente Médio, “retornando” no transcorrer da Idade Média; ou então ela nos chega “deglutida” pela cultura romana, para depois ser projetada na ambiência moderna da (nossa) ocidentalidade(Braudel, 2001[1969]). Nossos estudiosos, contudo, não costumam titubear em considerar, o mais diretamente possível, as “raízes” que se estendem do pensamento clássico grego sobre a constituição de nossa civilização (a “generalidade” ocidental) e de nossas culturas (na “especificidade” brasileira, portuguesa, chilena, portuguesa...), movimento que certamente se poderá tomar como influxo derivado dos “renascimentos” da Idade Média e da Era Moderna.
Ao considerar a observação de Cícero, de que “a enriquecente língua latina” permitiria distinguir de forma mais nítida (nítida para o próprio Cícero e para os não-helênicos, de maneira geral) a incidência de uma dupla denotação sobre um termo tão basilar para a formação de nossos sistemas de pensamento, não pretendemos sugerir que os gregos clássicos “desconhecessem” a “dupla natureza” do ethós. Apenas apoiamo-nos nessa referência latina à cultura grega para ressaltar uma discrepância (na nossa compreensão) dos possíveis sentidos atribuíveis ao termo: isso que, grosso modo, reconhecemos sobre a rubrica “ethós” poder ser fracionado em pelo menos dois itens, embora normalmente nós – ocidentais e ocidentalizados – tenhamos a tendência de manifestar (e, portanto, de instrumentalizar) apenas uma: “Tanto para Aristóteles quanto para Platão, que estão preocupados com a vida do cidadão na pólis, o homem virtuoso será o bom cidadão, ou seja, aquele que vive segundo as normas da justiça” (Nascimento, 1985, p. 259-260). E que parte é essa, que os latinos, por sua vez, buscaram condensar sob a expressão “moral”?
Ethós, que literalmente significava “caráter”, “integridade”, dizia (e diz!) respeito àquele elemento simbólico que se traduzia no mundo sensível como a identidade entre os signos (instituídos) e a verdade do Ser (instituinte)[8], de acordo com a qual se lhes poderia atribuído o devido valor e o reconhecimento político. Ethós, assim, é aquilo que confere ou deixa perceber a integridade ou caráter (“real”) de algo. Se um ente qualquer tem um elemento faltante, se um de seus caracteres deixa de ser percebido, muda a própria natureza desse ente (e o que antes se id-entificava com ele, passa a ser-lhe estranho e diferente): afinal, se alguma coisa é tão definidora de minha identidade, a ponto de fazer falta no momento em que me defino, essa ausência pode ser entendida, ela mesma, como um indicador de mudança na minha própria natureza.
A moral, por seu turno, é toda ação que visa a garantir a presença e a manutenção de um ethós. Ela é um “duplo” (quase um phantasma...) que compartilha a mesma natureza simbólica, mas que manifesta a diferença fundamental de estar colada antes ao ânthropos que à pólis, embora à primeira vista essa relação pareça invertida: o discurso da moral se projeta, ou melhor, assume como tema os interesses da pólis, mas sempre a partir da perspectiva de interesses humanos, mais – ou menos – pessoais. A Ética, então, pode ser entendida como um posicionamento (ideo-lógico), uma percepção “objetiva” de algo que, em nome de nossos próprios interesses, nos convém preservar. Moral, por seu turno, é toda ação que visa a preservar o ethós. Toda vez que agimos com a intenção de resguardar a integridade de alguma coisa, estamos agindo (ou tentando agir...) moralmente[9]: “(...) [Em Platão] A preocupação inicial de Mênon, quando pergunta a Sócrates se a virtude pode ser ensinada ou adquirida pelo hábito, será convertida gradualmente numa questão central e anterior (...), ou seja, o que é a virtude. (...) Em Aristóteles, a virtude será definida como eqüidistância entre dois vícios, um por excesso e outro por falt.” (Nascimento, 1984, p. 260) .
Assim, e enfim, se tentássemos recuperar a cosa mentale de um verdadeiro cidadão grego clássico, provavelmente encontraríamos o desejo preservar a pólis, desejo suficiente para que aceitássemos suas determinações como legis (esse extrato da operação jurídica também decomposta no processo de aculturação romana) e sua indução para ação segundo certos princípios:
Esses “princípios” – que se decompõem da archê – sempre são éticos (e por isso será também ético o fundamento de qualquer verdade que se possa vir a estabelecer e reconhecer como legítima); o “meio”, a “ação” – a práxis – é que é moral e, portanto, subordinável às regras e coerções públicas, na figura de uma lei escrita e de um código civil; incluindo aqueles que determinam um sistema de coesão social abusivo e anulador da presença individual[10]: eu mesmo me encarregarei de coagir meus concidadãos, a fim de manter o autós nomós da cidade-Estado que me acolhe e as garantias de segurança que ela me oferece.

II
O ethós, funcionando no interior do sistema cultural que funda o drama trágico, não distinguia rigorosamente o elemento humano (o anthropós) e o elemento político (a pólis); assim, nas encenações dos grandes concursos trágicos às referências explícitas à pólis encobriam uma rede impressionante de sobreposições temáticas (os mythoi recorrentes aos dramas clássicos) e semânticas (o encadeamento de signos que buscam amplificar a percepção dos elementos que produzirão a comoção trágica). Como os gregos da Antigüidade não sentiam a necessidade de inquirir sobre a dialética particular do fenômeno referido por esse termo[11], foram os helenizados – como Cícero – que sentiram a necessidade de registrar a dissonância entre as exigências da moral política (em sentido lato) do Estado e os riscos de sua sedução e perversão pelos “costumes bárbaros”, o que inclusive poderia levar os guénos mais “puros” a se corromperem. Na perspectiva da cultura grega clássica, havia o espaço da civilização (helênica) e um semi-indiviso mundo de “bárbaros”[12]:
Apesar da estima que Alexandre [O Grande] parece ter devotado sempre a seu antigo mestre, uma barreira os distanciava: Aristóteles não concordava com a fusão da civilização grega com a oriental. Segundo ele, gregos e orientais eram naturezas distintas, com distintas potencialidades, e não deveriam coexistir sob o mesmo regime político. Aristóteles estava profundamente convencido de que o regime político dos gregos era inseparável de seu temperamento, sendo impossível transferi-lo para outros povos. Estabelece nítida distinção entre as populações “bárbaras” e a pólis grega, somente esta sendo uma comunidade perfeita, pois a única a permitir ao homem uma vida verdadeiramente boa segundo os princípios morais e a justiça. (Aristóteles, 2000, p. 9.)

A partir do momento em que se explicita como discurso a idéia de “civilização”, torna-se possível perceber que os artefatos da cultura grega são “dessemiotizados” (Lima, 1998), ou seja, “reduzidos” de signos plenos de sentido (ativos no sistema cultural) a signos que se “esvaziam” de sentido (mas mantendo-se circulantes, no sistema de origem ou nos “sistemas de propagação [semiótica]”) parcial ou integralmente, sofrendo nesse processo uma série de reconfigurações e reinterpretações, segundo as variações de contexto constituídas em cada sistema cultural particular; Szondi ressalta em suas considerações a respeito de Hölderlin, a compreensão de uma dialética em que “a natureza [a physis] não aparece mais “propriamente”, e sim mediada por um signo. Na tragédia, esse signo é o herói”, que concentra
a tragédia como sacrifício que o homem oferece à natureza, a fim de levá-la à sua manifestação adequada. A tragicidade do homem consiste no fato de que ele só pode oferecer esse serviço que dá significado à sua existência na morte quando é posto como signo em si mesmo insignificante = 0”. (Szondi, 2004[1964], p. 34)

O herói trágico, então, é aquela personae que empresta os caracteres de alguns guénos ethós para representar momentos críticos da formação da pólis, ou seja, na constituição consciente – ou melhor, de uma consciência de coletividade, em oposição dialética com os apelos da individualidade (da psikê) e do guénos ethós (o pathós que anima a ação política), e na substituição de sistemas de valores e sistemas legislativos, como os levados a efeito por políteis como Empédocles[13] e Péricles[14].
Assim, por exemplo, o Direito (como signo complexo que designamos sob a categoria de “instituição formal” em nossa própria cultura, e que ajuda a enformar semioticamente e a enquadrar semiologicamente os conteúdos das tragédias clássicas) é transplantado de uma cultura para outras, no processo de conformação da civilização helênica a outras matrizes (os guenós ethós de outros grupamentos sociais) e sistemas culturais (seus atributos etnológicos e sistemas etnográficos).
Ele – o signo “Direito” – deixa um ambiente “concreto”, de cultura material, assumindo, a partir de então, novas conformações simbólicas: a cultura nunca transmite “signos exatos” e, portanto, o signo de facto só existe internamente num sistema cultural: “As culturas são vasos fechados. O aculturado é a prova da impossibilidade de passagem” (Costa Lima, 2003, p. 172). O que passa, o que atravessa os limites do sistema cultural é o significante (o que nos permitiria confrontar representações da propagação do Direito – e da tragédia – nos termos das tradições semiológicas), ou, se preferirmos recorrer a modelos semióticos (na esteira da tradição peirceana), os “meios” a partir dos quais se articulavam (isto é, “operavam”) originalmente o “interpretante” (o “significado” da semiologia) e seu “objeto [de referência cognitiva]” (o “significante” da semiologia).
Nesse movimento, o “meio”[15] (lembremos o corpo do herói é o veículo sintético da mensagem trágica) é o único elemento semiótico que efetivamente se preserva ao romper a membrana de um sistema cultural e deixar-se incorporar num outro sistema, necessariamente sofrendo alguma variação na sua capacidade de produção de sentido (e assim, por exemplo, o mythós – sistema de crenças da Grécia arcaica e pré-socrática – passa a ser referido como mythoi à medida que sua presença na cadeia de valores da pólis se altera, passando dos cultos ctonianos (irracionais) para os olímpicos (racionais). Assim, a crise no interior da tragédia (crise como “fato dramático” que integra a sua mekhané, e como conflito entre Thémis e Dikê no cotidiano das cosias públicas) pode ser localizada exatamente naquele ponto em que não se pode definir o valor de um signo que marca o corpo do protagonista, que se inscreve nele e faz emanar um gesto que marca uma intenção e a execução uma “vontade excessiva”.
Para o desenvolvimento deste ensaio, foi tomado como ponto de partida a possibilidade de dividir a noção clássica de ethós, organizando os atributos mais explícitos segundo sua vinculação (na tragédia) à pólis – que permanece com a designação tradicional – e ao anthropós, atualmente referido pela aplicação do termo etnós (que é, exatamente, a referência aos elementos locais de uma cultura, como as relações de parentesco e estruturas de comunalidade).
Quando, então, tentamos formular um modelo genérico de tragédia (que redunda na tentativa de descrição de seu próprio ethós[16]), esbarramos nas complexidades da origem desse modelo (não por acaso, aristotélico): trata-se, na verdade, de uma imagem formada nas pouco mais de trinta “refrações” do espírito trágico (que por sua vez já vinha percutindo no interior do sistema cultural grego, desde a retomada dos cultos a Dionísio, no século VI a.C). Contudo, a manifestação do trágico não se restringirá à tradição grega, ao sistema cultural da Grécia Clássica. É perfeitamente possível caracterizar o trágico em, virtualmente, qualquer ambiente humano. Seja no extremo oriente, no Alto Amazonas ou na Oceania, sempre podemos compreender algumas ocorrências (“ficcionais” ou “verídicas”) como “trágicas”, não nos sentidos vulgares dados ao termo, mas no sentido mesmo de uma extensão do mesmo fenômeno condensado esteticamente pela cultura grega.
Na verdade, o que acontece é que as formações etnológicas fornecem uma “base figurativa”, “fabular”, que permite a composição do drama trágico. A tragédia, nesse sentido, pode ser entendida como uma forma de organização de certos tipos de “fábulas” (no caso grego, o repertório mítico que remete à fundação das primeiras pólis). Em síntese, então, podemos formular a hipótese segundo a qual uma cultura (um etnós) nos fornece enredos, a civilização nos fornece um sistema de valor para considerar a “validade” dessa cultura (um ethós) e uma arte (uma tekhné, no dizer grego) nos dá a organização desse enredo, de forma a otimizar como rendimento estético os possíveis efeitos dessa fábula remodelada sobre um conjunto de espectadores.

III
Quando Sófocles, em 496 a.C, vence Ésquilo nos concursos trágicos, a percepção da expansão do império ateniense já permite também uma compreensão (“intuitiva” ou “confusa”, dada sua dupla incidência sobre um mesmo vocábulo) da distensão entre etnós e ethós: enquanto o primeiro se aplica ao sistema local de práticas culturais, o segundo se enquadra no conceito de long durée formulado por Fernand Braudel (2001).
A base mesma da criação do concurso trágico pode ser invocada para sustentar essa hipótese. Aristóteles acentua, na Poética, essa mekhané didática, que guiava a estruturação de um conjunto de mythoi de forma a acentuar a percepção de uma progressão no processo de katarsis individual e, simultaneamente, fornecer uma antropometria (o métron) da escala de razão (ou seja, o “guardar das pro-porções” que o homem devia aprender com os deuses, que por sua vez obedeciam ao kosmós...) que unia os destinos individuais ao destino mais amplo da pólis:
(...) No próprio vocabulário dos primeiros filósofos manifesta-se essa conexão: muitas das palavras que empregam sugerem experiências de cunho originalmente social, generalizadas para explicar a organização do cosmo. Por outro lado, a estrutura política fornece ao pensador esquemas interpretativos: à pólis monárquica corresponde uma interpretação do processo cosmogônico entendido como o desdobramento ou a transformação de um único princípio (arquê), tal como aparece nas primeiras cosmogonias filosóficas. Com o tempo, esses esquemas interpretativos vão, porém, se alterando, em parte como reflexo das novas formas de vida política. A instauração do regime democrático em Atenas e em outras cidades suscita novos temas para a investigação e sugere novos quadros explicativos: o filósofo Empédocles de Agrigento – líder democrático em sua cidade – concebe a organização do universo como resultante do jogo de múltiplas “raízes” regidas pela isonomia (igualdade perante a lei). Ao monismo corporalista dos primeiros pensadores pode então suceder o pluralismo: o cosmo é compreendido à imagem da pluralidade de poderes da pólis democrática. (Platão[Biografia], 2000, p. 6)

Dessa forma, a passagem de um “estado” da pólis (monárquico) para outro (democrático) interfere na conformação de seu próprio quadro de valores. De uma ordenação condicionada “de fora para dentro”, pela determinação da arquê, chega-se a uma ordenação política “de dentro para fora”, sob a forma da isonomia. Lembremos, contudo, que a cosmogonia se estende, nesse momento, sob a forma de homologias e de metáforas que estruturavam o sistema simbólico operado pelos habitantes das pólis, que em nenhum momento deixaram de lado a legitimidade dos laços de sangue e das “tradições familiares”, que podiam marcar um guénos por gerações e servir para “explicar” as “maldições recorrentes” que se abatiam sobre esta ou aquela família[17]. O guénos, que havia moldado o primeiro ethós, sofre um desequilíbrio que somente será notado na amplificação produzida pelo enquadramento trágico sobre o “signo vazio” de que Holderlïn (Szondi, 2004[1969], p. ) tanto se ocupará.
No que tange à tragédia, essa passagem pode ser ilustrada pelo contraste entre a mekhané explorada por Ésquilo e a manipulada por Sófocles. Em Ésquilo, a mecânica do drama é orientada das determinações externas (sublimes ou insofismáveis, dos deuses) para as subordinações internas (como o temor aos deuses, respeito ao guénos; como a “honra” latina se decalca no “ethos” grego). É o terror que assola o herói e o co-move na direção da purgação: a própria natureza (arquê encarnada no mito) oprime e coage o herói. Em Sófocles, inversamente, há uma determinação interna (uma “vontade”, um desejo de afirmação) que provoca o impasse em torno do qual se arma o fecho trágico. O terror assume a configuração de determinados mythoi, como no caso das Erínias, e a feição de um castigo (ou julgamento) divino.
Porém, uma vez encontrada a isonomia[18] de qualquer coisa (da pólis e do kosmós; mas também a de Antígona), muito preferível será a “morte” (real ou simbólica, ritual) à sua perda. Mesmo que a arquê se imponha e destrua aquele que emitiu o signo (agora) impoluto, isso já não importa; se o guénos e a pólis não se acertam no coração de Antígona, ela não titubeia sobre o modelo de isonomia a que adere por opção. Perder novamente a proteção do guénos (ela acompanha o pai num momento de desgraça plena e pública) e o status de consumar o direito de ser sua reprodutora significaria aceitar uma situação de anomia (Weber) e de uma “falsa vida”, que não oferece as possibilidades e as plenitudes de acesso ao Ser e, conseqüentemente, à transcendência:
(...) e não me pareceu
que tuas determinações [de Creonte] tivessem força
para impor aos mortais até a obrigação
de transgredir normas divinas, não escritas,
inevitáveis; não é de hoje, não é de ontem,
é desde os tempos mais remotos que elas vigem,
sem que ninguém possa dizer quando surgiram.
E não seria por temer homem algum,
nem o mais arrogante, que me arriscaria
a ser punida pelos deuses por violá-las. (Sófocles, 2004[441 a.C], v. 514-524)

Assim, no concerto das forças da natureza com a medida humana, não se pode romper o equilíbrio que “contentará” o kosmós e ajudará a encontrar o isós correto para cada nomós. O destino (sempre como fata, como Moira) da Pólis (ideal, platônica) é alcançar um estado “homeostático”, ou seja, em equilíbrio e ajuste segundo as imagens de transformação que se pode “captar” na physis (sobretudo as cíclicas e regulares, das quais se originam as tekhnés fundamentais, ou seja, a percepção dos movimentos de passagem ou de alteração de estados da natureza das coisas).
O que a dialética da eticidade propõe, em suma, é que a pólis se organize com base na simetria entre identidade e pertença, entre ethos e etnós, para que um não se torne o descompasso do outro, no momento concreto da efetivação da práxis. Os interesses do guénos não são, necessariamente, compatíveis com os interesses da Pólis; assim, um signo, um gesto, uma mesma tekhné, uma prática plenamente aceita num momento, e totalmente condenada no outro. A ação trágica produz ao menos um instante de indecibilidade completa entre um valor “positivo” (em relação à possibilidade de preservação do ethós da pólis) e outro “negativo” (em relação ao abalo de um de seus fundamentos).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ARISTÓTELES. Pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 2000. (Os Pensadores)
BARTHES, Roland. “O teatro grego”. In: O óbvio e o obtuso: ensaios críticos III. Tradução de Lea novaes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990[1965]. P. 63-83.
BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro grego : tragédia e comédia. 3.ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
BRAUDEL, Fernand. Memórias do Mediterrâneo: Pré-História e Antigüidade. Tradução de Teresa Antunes Cardoso et. al. Lisboa: Terramar, 2001[1969].
CHAUÍ, Marilena et al. Primeira filosofia : lições introdutórias. São Paulo: Brasiliense, 1985.
CÍCERO. Sobre o destino. Tradução e notas de José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.
JAMBET, Christian. La logica de los orientales : Henry Corbin y a ciência de las formas. México: Fondo de Cultura Econômica, 1989[1983].
LINS, Ivan. “Outros aspectos do humanismo”. In: Erasmo, a Renascença e o humanismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. p. 125-126.
PESSOA, Fernando. Antologia de estética, teoria e crítica literária. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.]
PLATÃO. Pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 2000. (Os Pensadores)
ROCHA, João Cezar de Castro, GUMBRECHT, Hans Ulrich (Orgs.). Máscaras da mímesis : a obra de Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Record, 1999.
SÓFOCLES. A trilogia tebalana. Tradução de Mário da Gama Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004[494-406 a.C]
SZONDI, Peter. Ensaio sobre o trágico. Tradução de Pedro Süssekind. Jorge Zahar, 2004.
TOYNBEE, Arnold. Helenismo : história de uma civilização. Tradução de Waltensir Dutra. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1983[1959]
VÁRIOS. Pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Os Pensadores)
VERNANT, Jean-Pierre, VIDAL-NAQUET, Pierre. “Tensões e ambigüidades na tragédia grega” [1969]. In: Mito e tragédia na Grécia antiga. São Paulo: Duas Cidades, 1977.
[1] Como exemplos, podem-se tomar o “aristotelismo medieval” e o “árabe”, em Miguel Attie Filho (“De Aristóteles a Aristutalis”, in: A Falsafa : a filosofia entre os árabes, 2002) e a “Introdução” de SHERMAN, Claire Richter. Imagining Aristotle: Verbal and Visual Representation in Fourteenth-Century France. Berkeley: University of California Press, c1995 1995. http://ark.cdlib.org/ark:/13030/ft4m3nb2n4/.
[2] Essa distinção pretende apoiar-se na possibilidade de que possam acontecer simultaneamente processos de apropriação cultural na passagem de signos entre “culturas”. Em termos práticos, poderíamos dizer que quando se absorve um vocábulo de uma língua pra outra, entra-se num processo de “aculturação”; quando se absorve um "sentido", entra-se num processo de “civilização”. A esse respeito, cf. trabalhos de Clifford Geertz, Marshall Sahlins e Norbert Elias.
[3] Em Helenismo, história de uma civilização, 1983 [1959].
[4] Em Memórias do mediterrâneo: pré-história e antigüidade. 2001 [1969].
[5] Certamente, Braudel toma o cuidado de fazer notar que “(...) [a] população – o demos – tem mais o que fazer”, e que o poder “foi afinal partilhado por (...) magistrados” que governam no Areópago. Esse movimento desloca todo um campo semântico e de formação discursiva, concentrando-o como registro lingüístico daquelas classes que tomam para si a responsabilidade de definir os destinos dessa pólis,
[6] Uma sensação que aliás se estende ao Estado imperial romano, em seus melhores momentos de expansão.
[7] A esse respeito, Junito de Souza Brandão (1984) apresenta uma versão de molde antropológico de Johan Bachofen [em Das Mutterecht. 1975].
[8] Para aprofundamento dessa relação, ver o análogo proposto por Pierre Bourdieu (XXX), entre “estruturas estruturadas” e “estruturas estruturantes”.
[9] Muito curiosamente, em nossa cultura (a brasileira) a palavra “moral” assume uma conotação quase invariavelmente pejorativa.
[10] A esse respeito, cf. autores como Toynbee, Braudel e Norbert Elias (A sociedade dos indivíduos, O processo civilizatório)
[11] O próprio Hegel afirma que todos os fenômenos manifestam, em si mesmos, a dialética. Ou seja: o próprio ethós pode ser investigado pelo viés da análise de uma dialética particular.
[12] Platão, p. ex., vem de uma origem aristocrática que se reflete diretamente em suas formulações doutrinárias. Aristóteles, oriundo de uma camada mais popular e de uma localidade marginal no contexto dos domínios helênicos da época. A título de ilustração, releiamos F. Braudel: “(...) O Estagirita (...), por fim, afastou-se da matemática para regressar ao homem, à biologia. (...) Seja como for, Aristóteles afastou-se claramente tanto do idealismo como da poesia platônica. Destaca não a alma, parcela divina, mas o ser humano, animal pensante e mortal (...). A Ideia deixa de ter existênia em si, separada de seu suporte material”. (Braudel, 2001 [1969], p. 290)
[13] “Do ponto de vista estritamente físico, a concepção de Empédocles é da maior importância. O princípio de isonomia, que impõe a compensação cíclica das ações de Amor e Ódio, resulta na adoção da doutrina do eterno retorno – doutrina que contém em si a idéia do equilíbrio relativo entre as forças do universo e a da conservação perfeita de sua energia. Além disso, a formação do universo atual como resultado da progressiva separação da raízes leva Empédocles a formular uma concepção evolucionista, na qual já aparece a noção de “sobrevivência dos mais aptos”. (Kuhnen, 1996, p. 28.)
[14] “Pericles won reelection frequently for about 30 years. In a time of kings and tyrants as rulers, his policy at home was to place the state in the hands of the whole body of citizens under the rule of law”. In: http://www.crystalinks.com/pericles.html. Péricles (495?-429 a.C.), além de amigo de Sófocles, foi participante da primeira montagem de Os Persas, de Ésquilo.
[15] Que poderíamos também referir como “mídia”, se desejássemos neste momento pensar não apenas em termos semióticos e semiológicos, mas, também, efetivamente comunicacionais (João Cezar C. Rocha, org, novas materialidades da comunicação).
[16] A modulação clássica da tragédia se figura a partir da pólis e da percepção de formas e estruturas que permitem distinguir “classes sociais”; contudo, a crer em Heráclito e em outros pré-socráticos, todas as coisas que possuem existência possuem ethós, e não apenas aquelas relacionadas com a manutenção e organização da pólis.
[17] Assim como certas tribos indígenas tornam-se vítimas de “epidemias suicidas”, formas mais ou menos brandas de sociopatias podem ser rastreadas em figuras como os “psicopatas americanos”, ou em jovens europeus e japoneses (e, com a globalização) em “ondas” depressivas cada vez mais freqüentes. Aliás, a percepção de que certos gestos constituídos no círculo das relações familiares podem condicionar afetações emocionais foi – se pudermos abstrair de uma definição “psicanalítica” para uma “antropológica” – certamente uma das bases para o desenvolvimento do pensamento freudiano.
[18] Sua cota de participação na definição dos destinos da pólis.

Quarta-feira, Agosto 03, 2005

SEM TÍTULO

.
.
queria
poemas
que não
pudessem
ser nada
além de
poemas

:

signos
(os que nos
seguem)
intraduzíveis
(de outra
forma
indizíveis)

as peles
mais intra
(a)duzíveis
que a palavra
pudesse realizar

queria poemas
que fossem tão
puramente palavras

que nem
pudessem ser
lidos

se não fosse
com olhos
míopes
(ou um aperto
humoroso
em Calíope)

queria poemas
que fossem
emblemas

(não fonemas)

de uma nobre
estirpe : no(doa)ta
brasiliana
nos jardins de Circe

queria (aliás)
um poema
que fosse (inconteste)
panis et circensis

e assim gentil
como um amigo
paraense
.
.

Terça-feira, Julho 26, 2005

Collatio laureationis

.

.

(...) Os poetas, sob o véu dos fingimentos (sub velamine figmentorum),
trataram questões ora de física, ora de moral, ora de história, por isso é
verdadeiro isso que, com freqüência, afirmo: entre o poeta, o historiador e o
filósofo moral ou natural há a mesma diferença que entre um céu nublado e um
sereno; a luz que se esconde sob um e outro é a mesma (...).

(Petrarca, 1341, p. 1271)

(apud: COSTA LIMA, Luiz.
O redemunho do horror :
as margens do Ocidente. p. 36.)
.
.

Quarta-feira, Julho 13, 2005

ULISSÉIA DESAIRADA (frag(il)mento)

.
.
.
.
há tempo para o diálogo
há tempo para o monólogo
há tempo para o hálito (puro halo) de Apolo
há tempo para o insólito (puro abalo) de Dionísio
há tempo para o trabalho
e há tempo para ver o dia

evanescendo

como uma tarde perdida e vadia
tarde de uma maré que se
des de si vaza : se torna vazia
por dentro de uma casacasca
membrana (a caixa
de Pandora que se enche
no momento mesmo
em que se esvazia:

a brisa
..............ob
....................(in)
.............................si (gne gno(sis) gnu
.............................dia (phainós) dia
.........................................na
.............................faina
.............................púr pura
..........................................................epi
..................................................phania)


con scientia que se
faz humana

quando faz

se

como

poesia)

)
.
.
.
.

Domingo, Julho 10, 2005

VITRINE: Et Cetera nº 5

Et Cetera nº 5

196 págs., R$ 35
Travessa dos Editores
(r. Des. Hugo Simas, 107, CEP 80520-250, Curitiba, PR, tel. 0/xx/41/ 3338-9994).

A revista bimestral de arte e literatura traz poemas de Paul Auster, um artigo de Augusto de Campos sobre o poeta Dylan Thomas (1914-1953) e ensaio fotográfico de Vilma Slomp com Décio Pignatari, entre outros textos. (Fonte: FSP)

Sábado, Julho 09, 2005

QUASÁLIDA CAMPESINA

.
.
.
.

riso é síntese
drama é distensão
vida é photón syn thesis
morte é (apenas)

foda

(

:
pelo (mais de) menos
Eros (queros-queros)
é de
Thânatos
(isso) não tem jeito

não : a vida (Moira ensadecida)
de si
a si apenas

os(culo)cila

:con
sidera (no brilho trans épico
como em Serpico
ou Haynes (as secret minds
destilando o veneno
de redescobrir
o infinito

e toda a in signe (e)ficantia
de todo gesto humano
de todo humano
movimento

re descobrir
como funciona
o mundo
quando estando
fora dele
passamos
a estar dentro
: simples
como um trocar
de pele)

)
orbe
ou sub urb(urban)ita(s)

(mil faixas de gaze
mil Valkírias cavalgando
mil Amazonas digladiando
Londres queimando
(e se preparando
pra redescobrir o desencanto)

os judeus os americanos os europeus
todos eles (e também nós
(que finalmente ninguém mais
pode dizer não sermos
também bons filhos
de Deus

...

somos tão bons filhos
que ele nem se importa
se nos dermos (não ao Demo)
às delícias de viver
: o que quer dizer

: ter o direito de ser
e par-essere
esse ser)

este

ou aquele
mundo

(cada uma de nossas
necessárias

phantasias
)

é por isso
que a gregaiada (aqueles bárbaros
apenas aparentemente
emplumados)

deu a dica ao
bas de tard
o a lume : o ar

o philós do sophisma
alemão

(ex)pulsando
(quase
(has ard)(de Hades)
azar)

na nossa mente

aquilo que nos
diz

o coração
.
.
.
.

NIETZSCHEANA

.
.
.
.
és o que és
não (necessariamente)
o que desejas
ou o que que res (boato de uma beata : ob que (se) jacta)
que res (na casamata)
ser (punctum que retorna como plena madrugada)

torto como um
nariz de Narciso
no seu inédito
étimo (o átimo
que te faz inde(x) : ente
ci(ne co

(gastura da cinessaracura)

(ca~
ndidamente)so)

& in audív(visív)el

di fra (tri) (a) tu (r) ado

totalmente frac
(coisa &) tal
& zen : incendiado
.
.
.
.

Quarta-feira, Junho 22, 2005

Learning Latin Online: Latin Basics - Pronunciation and the Alphabet

'stás com o latim em dia, kamarada?

Latin Alphabet
See how the earliest alphabet evolved into the Latin alphabet. Find out how the letters, vowels, and diphthongs are pronounced.
Latin Pronunciation Latin PronunciationDiscussion of the debates on Latin pronunciation, sites where you can listen to the current best guess, and a Classics FAQ with basic pronunciation guide.

*

from N.S. Gill, your Editor and Guide
About Guide to Ancient/Classical History Tantae molis erat Romanam condere gentem.

Terça-feira, Junho 21, 2005

Timeline: Greek and Roman Philosophers and Mathematicians

Difícil lembrar se Platão vem antes de Aristóteles, depois de Epicuro ou junto com Anaximandro?

Essa linha do tempo pode ajudar bastante...

O formato dela é simples:

NAME & DATES MORE INFORMATION
Thales (636-546) Greek philosopher Thales
Pythagoras of Samos (c.580-c. 520 B.C.)Greek philosopher Pythagoras
Anaximenes (d. c. 502)Greek philosopher Anaximenes
etc.

a fonte? http://ancienthistory.about.com/library/bl/bl_time_philosophers.htm

Novos roteamentos textoindustriais (ou: de tanto cair na rede, vai-ver, virei peixe...)

entonces,
como o post anterior vinha dizendo, o IT vai "rizomar" :

primeiro, pretendo diminuir o fluxo de mails nas listas de discussão de que participo. siiiiiiimmmmm, reconheço que sou um spammer light (embora tenha sempre feito isso "em nome da ciência", ou de alguma coisa muito parecida com ela), e que a minha mala-direta está toda bagunçada.

os posts que normalmente vão para as listas Itext, LD Trag e LD Quixote agora serão concentrados aqui. se embolar demais, tento incorporar alguma estrutura de multiblogue mais à frente.

Inté,

Orlando

Domingo, Junho 19, 2005

Ri-leasing: reCiclos

...e o Indústria Têxtil (IT) continua seu estica-e-puxa; poemas demoram muito pra serem escritos, e mais ainda para serem lidos... mal dá pra pensar quanto tempo pode demorar pra eles serem “entendidos”.

living la vida-a-loca, a bagunça da minha vida retorna ao IT: além da poesia, a tese (sobre – ops! – poesia) e unas encomendas: um texto de mais ou menos trinta páginas sobre Atílio Vivacqua (e, por extensão, sobre o Espírito Santo), um ensaio escamoteado em tragédias gregas, outro em D. Quixote, e mais um sobre o “horror ocidental”, partindo de Vitória, do Joseph Conrad.

daí, daqui-pra-frente, pretendo abrir o “projeto editorial” do IT, incorporando notas relativas aos estimadíssimos abacaxis que tenho pra descascar até... 2009 (que é o fim do doutorado e o compromisso mais distante pra mim hoje).

continuo nas minhas crises em relação à tendência de misturar assuntos demais (quem me conhece pessoalmente sabe do que tô falando, hehehe!) e dispersar o possível interesse pelo blogue. se bem que, com os poemas, falar em interesse chega muito pertinho de um começo de piada...

daqui pra frente, os posts vão misturar poemas meus e, se tiver tempo pra selecionar, de outros poetas contemporâneos. trechos, fragmentos e citações, notas e comentários. e, claro, a turma dos pitacos continua convidada a dar as caras nos comments, pra bates-papos e (tomara!) bates-bocas.

Inté,

o.land.o

Sexta-feira, Abril 08, 2005

SEM TÍTULO

.
.
.
.
(culpa
da orelha metafísica

: ela
nela mesma
se equi voca)

o pensamento
quando desentorta
(ou seja
quando consegue
(plus) ultra passar

a imagem
da linha reta)

sai pela porta
a fora a dentro
deixa de ter centro


II

(a orelha
não entende
o verso

:

incômodo
de tudo
o que
parece
disperso)

o pensamento
reposto em
seu molde

(selva geria
in finita
barbár ie
des comedida

(toda coisa
percebida
en-si-mesma

torna-se des medida
de importância

(a menor (não a maior
cefaléia cabralina) dor
de cabeça

o maior (não o menor)
de todos os enigmas:
a própria vida (que
sem
se saber
o que é

tanto nos
con torce (e) entre tece

a(r)ranha(r)risca
a pele de nossa
espécie




: descaminhos
coloridos
de nossa razão
perdida)

assume formas
ex cêntricas

(pensamento
ab solutamente
sem razão

pensamento
sem sentido

(pós-humano
artifício : nossa
grande ficção)

verdade desaparente


tudo aquilo que
realmente
se sente)

.
.
.
.

FAKETOWN ALUCINA

.
.
.
.
mesmo
a cidade
mais falsa
– a mais etérea
(civita(vitor(viator)ria)te dei)

gera

uma chimera
luminosa (lâmpada
chinesa e longas
línguas de sombras

: arco que enverga
a íris
(azul que
num momento
vira rosa)

nuvem que brilha
dispersão gozosa

: o maior engodo
da história
.
.
.
.

PRÊT-A-PORTER BANDEIRIANO

.
.
.
.
a vida
que tanto se repete
(até o ponto em que se
desgasta)
às vezes se torna comicamente leve
às vezes se torna dramaticamente
pesada

pesada
a vida fica
de cara amarrada
e obriga
quando muito
a uma felicidade falsa
(hypo krisis
descarada)

leve
toma ares
de tristeza deslavada
(a sujeira manuelina
no brim da barra
da calça
deixa de ser mancha
– vira estampa –
enfeita o que nos vestemostra
o que nos marca)
.
.
.
.

Quinta-feira, Abril 07, 2005

SEM TÍTULO

.
.
.
.
no momento
sou
todo dissolução

pedra
que se desfez
no ar
se perdeu

partiu-se
até ficar invisível

no momento
sou (pra mim mesmo)
indizível : todo per missivo
nos (a)poros
do silêncio
que habito
.
.
.
.

Sexta-feira, Abril 01, 2005

CALEIDOSCÓPIO

.
.
.
.

Perguntas óbvias que deviam ser feitas aos poetas
(com as respostas óbvias que deveriam ser dadas por eles)


Por que você escreve?

Escrevo porque tenho verve. Escrevo porque meu sangue é uma tinta que ferve. Escrevo porque assim a minha alma se acalma. Escrevo pra ver se alguém bate uma palma. Escrevo pra ter silêncio. Escrevo pra ver se me convenço
De mim mesmo. Escrevo porque me invento. Escrevo porque sou tenso (não porque sou intenso). Escrevo porque existo de verdade quando penso. Escrevo porque não penso sem olhos e mãos (aprendi que olhos e mãos têm a gramática peculiar
De gestos e cores formas volumes onde tenho sentimentos).

Sobre o que você escreve?

Escrevo sobre o que tem verve. Escrevo sobre sangue, sobre tinta que ferve. Escrevo sobre almas que não têm calma. Escrevo sobre aquilo que pode virar uma palma. Escrevo sobre o silêncio. Escrevo meus argumentos. Escrevo o que invento. Escrevo o que é tenso (não o que é intenso). Escrevo sobre o que existe quando penso. Escrevo sobre o que está diante das minhas mãos e olhos (escrevo sobre o que eles Me dizem
Sobre o que me dão de sentimento).

Para quem você escreve?

Escrevo pra quem tem verve. Escrevo pra quem tem no sangue tinta que ferve. Escrevo pra quem tem alma (mesmo que eu não possa dar a ela a calma). Escrevo pra quem pode bater palma. Escrevo pra quem gosta de silêncio. Escrevo pra quem precisa
Convencer-se de si mesmo. Escrevo pra quem se inventa. Escrevo pra quem é tenso (não pra quem é intenso). Escrevo pra quem existe quando pensa. Escrevo pra quem pensa com as mãos dos olhos (aqueles que querem o sentimento de gestos e formas em movimento).

MUDOU-SE O TEMA (ONDE O MAR COMEÇA)

.



.................................. A aventura é o mar ou essa forma
.................................. Que se forma depois, que vai viver
.................................. Na memória dos dias?


.................................. Egito Gonçalves



a vida inteira
procurar aquela coisa – a coisa –
que nos começa

e encontrar à porta de casa
o mar
que nunca cessa:
oceano que se transforma em ar
e – maresia – nos corrói
entranha-nos ao nos atravessar

nosso mar (também salgado) é mais impessoal
é semi-desumano: ascese de quem não navega
festa mais simples de água peixe sal (não é mar de mitos
não oculta monstros infinitos
nem tesouros de ouro jóias dobrões de prata)

é mar puro
água apenas mareal (e se escorre em nossas veias
é porque não nos foi dado chão
senão no barro de que fomos tomados
emprestados)

sim
é um mar (que guarda ainda lágrimas de mães e esposas
e sangue de irmãos e pais

aquela melancolia séria
da miséria do caiçara)
como todos os mares (por mais distantes): malabar
um mar
de párias


.

Domingo, Março 27, 2005

VITRINE: Mário Faustino

Trópico
Um resgate incomum
Por Carlos Ávila

Biografia de Mário Faustino explora os arquivos do poeta, com centenas de documentos guardados pelo crítico Benedito Nunes

"Havia em Faustino a busca de algum "encanto" poético perdido. A certa
altura de seu trabalho -sua poesia-experiência (o termo com que batizou a página
no “JB” serve à maravilha como lema de sua prática poética)- chegou à seguinte
conclusão: "A cibernética, graças aos deuses, nunca poderá produzir poesia: a
área multifária de cada palavra é incomensurável; célula de N átomos,
incalculável, imponderável, indirigível. A poesia será sempre mágica,
metafísica, jamais uma ciência exata, pura ou aplicada. Isto eu já sei,
profundamente. Um saber para toda a existência, irretificável, confundindo-se
com a própria existência, agindo sobre ela e modificando-a à sua imagem"."

Sábado, Março 12, 2005

LOGO DRAMA EM TORNO DE UMA PALAVRA PERDIDA

.




ah
não vai
não

desgraçada

fica aqui
(volta)

deixe
(cois’)ficar ainda
uma

vez: a tua tez

tão vaga(tua pura
superfície

um instante
antes

de
ser

imaginada)mente
sagrada : palavra
desejada (quase
transe) : outra
voz (que
sub

lim
(i
(lumi)
min) a)



: a graça (ironia
mais fina)
de pertencer
à humanidade

a agudeza
rude (um dia
o des encantamento
outro dia as aleg(o)rias)
de cada sina



.

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

EPIGRAMA

o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é português.

Fernando Pessoa

o mar
com fim
será (fim) grego
ou (êmulo) romano:

O mar (e tudo
o que ele possa
vir-a-ser

será: o)
sem fim


é (abismal) português.




Domingo, Fevereiro 27, 2005

SEM TÍTULO

.

na última luz
debuxado
o silêncio da cidadezinha
que não se mostra
(é apenas – por enquanto –
os meninos que não falam
os morros granitosos que não falam

quase-fantamas
quase-poesia

sua simpatia
é de beira de estrada
marasmo de fazendas
facilidade de cumprimentos
comida farta de todo dia)

cidadezinha semi-virgem
indecifrável sem ser férrea
(aliás mole
capixaba legítima
quase descansada
apesar da faina
e da lida pra mais
de um dia) quase sem traços
de alguma vilania

(casas antigas
patriarcagens
café e lavouras
tentam falar o contrário

mas não é possível
ouvi-las)

a noite vem vindo
(talvez com segredos
ilegíveis à luz do dia)
e o silêncio deixa ver
o restinho da cidade vazia



.

MEFISTO



a vida, nas suas reservas
(o que não ex plica
de suas pregas
nem se demonstra
em suas dobras)
quase nada se
presta a adiantar

a calva que chega-não-chega
uns pêlos e cabelos se declarando brancos
a barriga que se anuncia
há tanto
mas nunca se (a)firma definitiva
o emprego que não chega nunca
a compensar a espera na senzala capitalista

o rosto de dez anos atrás
não se dá mais ao espelho (vaga
vago em poucas fotos – expedientes
documentos impessoais (os compromissos
que começaram a vida) e nem dá pistas
do que acontecerá nos próximo dias

(hoje é um daqueles dias em que parece
que a vida vacila
: quase deixando de ser
deixa ver
entrever
a faceta proibida)





.
Folha de São Paulo
domingo, 27 de fevereiro de 2005

+ poema
por Bento Prado Jr.


Tropecei, esta noite,
Num verso mais que estranho,
Único verso presente em todos os poemas reais
Ou possíveis de todas as línguas do mundo:
Primeiro hieróglifo, emblema de Hermes Trimegistos.
Verso em si ilegível e vazio embora necessário,
Verso perverso
Que nos condena a retornar, obliquamente,
A todos os poemas escritos até hoje,
E todos os futuros,
Um gonzo fechando,
Por dentro, um cubo hermético-metálico,
Que, mônada, espelha, em seu imo, todo o mundo externo.
Começo e fim de toda poesia,
Ou seu constante recomeçar?
Delirei, esta noite,
Um único verso,
(uni-verso),
que poeta algum jamais escreveu,
Face infinitesimal do Grande Diamante da Poesia ou do Ser,
Acesso a todos os demais versos,
Que se mostram, simul, ao leitor
Que eles próprios, nesse instante, criam.
Mas foi apenas um vislumbre:
Uma vez iluminado o Grande Diamante,
O verso volveu à sua aparente vacuidade
E dissolveu-se-lhe a cumplicidade com todos os demais,
Devolvendo-me ao ritual de meu dia-a-dia,
Mergulhando-me novamente em meu Não-Ser.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

VENUS IN FURS



A Fábio Memelli



trocar
as peles
da realidade

dar-lhe novas peles
máscaras
novas superfícies
e profundas
intensidades

: um monte
de vênus
eriça
seu corpo
sem órgãos

olhos que se s’olham

(lumina essentia)

: des
totalidade
ab
soluta






Domingo, Fevereiro 20, 2005

Amor, amor
Assim como um leão caçando o medo

(Cazuza, Frejat, G. Israel)

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

SEM TÍTULO

você
que cansou
de se perguntar
quem é

decidiste que
chegou a
hora
de ser

:

aceitaste
a vertigem
do mundo

e as suas
estranhas
maneiras
de ser

(o mundo não
pode mais
fugir de ti

e nem tu
podes mais fugir
dele)

(você
não parou
de sofrer

mas hoje
sabes
não haver
motivos

para recusar
a imensa
e delicadíssima
dor de viver

:

sentes dores
de todo tipo
– as tuas
as dos outros
as do mundo
inteiro –
mas não mais
te dilaceras
com isso

o excedente
das dores
– este é o teu
siso – aprendeste
a moer
com palavras

e só por isso
sabes que pode
suportar
o prazer
– quase dor –
de estar vivo)

:

você
que passou
desta
para melhor

(aprendeste a
morrer
e a ressuscitar
quase todos
os dias)

não tens
outro remédio
senão
olhar o mundo
no fundo do olho

não tens
outro remédio
senão
evicerar-se (evanecer-se
como Prometeu)
e espremer (aspergir)
tua bile
:
você
totalmente
transformado
em calcanhar
de Aquiles

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

SEM TÍTULO

a escrita
quando perde
a direção
não perde
necessariamente
o sentido

: é quando
dispersa
do que vinha
pensando
(ante passado
ou futuro augúrio)
que alcança
a passagem
infinita

:

a escrita
quando foge
do seu script

somente nesse
momento
pode ser entendida
como vida

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005

SEM TÍTULO

tudo o que se toca
a si mesmo equi
voca : volta
para a concha
mesmo pelo lado
de fora
repetindo
e alterando
a antiga forma

(molusco energúmeno
concha desmontada
em água morna)

: quando o universo
conspira
a voz respira o que
de outra forma
não se fala:

expele-se
a substância
do nada

SEM TÍTULO

....... lépida (optera)
(ou) lenta
(co) luna

....... :

........ mistério (mobile)
........ do acontecimento

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

VITRINE: Rosane Carneiro

Rosane (Carneiro, que tem poemas publicados na revista Aliás - http://www.culturalias.blogger.com.br/index.html).

teu poema
me ajudou
a entender
a serpente
do ocidente
(rio que corre
(sinuosidade )
em nós desde
Heráclito

torrente sobre todas as superfícies
correnteza toda ela
feita unicamente
de gente)



muito obrigado por isso, viu?

um abraço,

Descaminhos de uma poesia infinita

ainda tentando encontrar o fio de meadas deste blogue, interrrompo nossa programação para um pequeno intervalo institucional. uma das minhas grandes curiosidades era saber onde é que foi parar a poesia, muita vez pareceu que só eu a sentia; muita vez pareceu também que isso me enlouqueceria.

Mallarmé falava e dizia muito sobre uma tribo que só hoje se pode dizer que -- desde sempre -- já existia. finalmente consegui me dar algum tempo pra me reentender com a vida ciber, então resolvi sair pra caçar poesia.

poesia, como todos sabemos, é um bicho difácil de achar. quando menos esperamos, ele sapeca na nossa frente. como um crustáceo ensandecido, chicoteia sua própria cauda, dá-se num pequeno espasmo que ainda não se deu por (con)vencido.

o complicado em capturar poesia, hoje me parece bastante claro, está em que não se pode movê-la para nenhum lugar. poesia é uma coisa que só acontece uma vez, mesmo que sejam mil vezes (e principalmente quando chegam a ser mais de mil vezes), num certo momento e num dado instante. só é possível capturar a poesia se se aceitar despejá-la num estanque, transmutá-la de princesa até conseguir compreendê-la como um sapo delirantemente vibrante. isso fora o fato de que é infinitamente difácil transpululá-la de seu oceano...

bom, em todo caso a gente não pode nem querer capturar uma coisa que não encontrou, certo?
Vou ver o que encontro por aí, ver o que pode me dar hoje esse imenso, revolto e denso cibermar.